Questão
Balcânica
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Bálcãs
Eterna Instabilidade Político-Geográfico
 
Eustáquio Lagoeiro Castelo Branco

Cobiçada terra de Ninguém


Desde a II Guerra Mundial (1939-1945), o mundo não testemunhava matança igual a promovida
na Península Balcânica de Sérvios, Croatas, Bósnios, Kosovares, etc.
Até então, a Iugoslávia conseguiu manter um certo equilíbrio graças á mão de ferro do Marechal Tito que controlava disputas e rivalidades nos conflitos regionais, evitando assim abalos na estabilidade do conjunto
Na década de 80, a Iugoslávia foi, gradativamente se diluindo, no período entre a morte do marechal TITO em
1980 e a chegada ao poder do comunista, Soblodan Milosevic em 1987.
Á partir daí, os Bálcãs voltaram a ser o foco de crise na Europa, repetindo as cenas de violência praticadas no início do século.

As guerras pipocaram na península deixando um rastro implacável de torturas em prisões que se assemelhavam aos campos de concentração nazista da Segunda Guerra Mundial.
Civis mulçumanos, cristãos católicos, croatas, bósnios, kosovares eram executados a sangue frio.
O objetivo era a “purificação étnica” para a criação da “Grande Sérvia”.
Um relatório da Comunidade Européia (CE) denunciou que apenas na Bósnia 20 mil mulheres, na maioria mulçumanas, foram estupradas durante o ano 1997 por milicianos sérvios.
Um dos casos mais estarrecedores aconteceu na cidade de Kalinoviky. Em agosto de 1992, um bando de sérvios sujos e bêbados invadiu o ginásio onde 105 jovens mulheres estavam presas. Durante 26 dias elas foram estupradas coletivamente, dia e noite, algumas delas até por sete milicianos.

Crimes de Guerra 


    Uma carta divulgada pelo Papa João Paulo II condenava a violência na Bósnia, mas se colocava contra o aborto das mulheres que ficaram grávidas. Segundo o Papa, os filhos de vítimas de estupro devem ser respeitados e amados como qualquer outra pessoa.
   Por fim, o Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) decidiu por unanimidade criar um tribunal internacional para julgar acusados de crimes de guerra na antiga Iugoslávia. O comunista, Soblodan Milosevic, presidente da sérvia, foi apontado como principal responsável político pelas atrocidades e massacres na Croácia e Bósnia-herzegovina.

Conflitos desde o Século VI d.C. na idade Média


Mas qual é realmente o problema nas terras da península? Qual a resposta a essa pergunta
que todo mundo faz desde que as atrocidades da guerra civil nos Bálcãs passaram a fazer parte
do dia a dia dos noticiários de jornais, revista e televisão?
Para entender a questão é preciso retroceder no tempo e mergulhar na história da região.
Do tamanho do território de Minas Gerais. Situada à sudeste do continente europeu, num
ponto de interseção, entre a Europa e o Oriente Médio, os Bálcãs foi, também, o caminho
por onde trafegaram exércitos guerreiros em suas campanhas de conquistas desde a idade
antiga: gregos, macedônios, romanos, Mongóis, bárbaros germânicos, eslavos, turcos,
austríacos, alemães nazistas, etc.

Do tamanho do território de Minas Gerais. Situada à sudeste do continente europeu, num ponto
de interseção, entre a Europa e o Oriente Médio, os Bálcãs foi, também, o caminho por onde trafegaram exércitos guerreiros em suas campanhas de conquistas desde a idade antiga: gregos, macedônios, romanos, Mongóis, germânicos, eslavos, turcos, austríacos, alemães nazistas, etc .
Os balcânicos se formaram dessa miscelânea de povos que ora se fixavam nessa região, ora a abandonavam, outros voltavam em correntes migratórias diversas e milenares tornando essa
lugar quase que uma terra de ninguém.

Na idade antiga, a região havia sido ocupada pelos gregos e pelos romanos que absorveram
os povos autóctones, Ilirianos e Dálmatas, que ali habitavam e, esporadicamente, ocupada
por povos de origens étnicas e religiosas diversas.

Dois povos eslavos, oriundos da Ásia, começaram a ocupar a península no século VI d.C.
Os Croatas que se tornaram cristãos católicos e os sérvios que adotaram a religião cristã
ortodoxa e passaram a se desentender em termos religiosos fundando reinos separados.
Na região já existia um reino de origem germânica, os Teutões, que, vindos do norte da
Alemanha, ali haviam chegado séculos antes (I a.C.) Nos séculos seguintes os eslavos
continuarão a instalar-se e no século XI as primeiras soberanias eslavas estavam instituídas:
o Reino dos Croatas, Reino da Bósnia, e Reino dos Sérvios. As fronteiras destes estados
estavam permanentemente a variar devido a guerras e ao longo dos tempos passaram por
períodos de expansionismo e períodos de submissão.

No final do século XIII, inicia-se a expansão do Império Otomano. Os turcos otomanos conquistam aos búlgaros a região da Macedônia em 1370 e posteriormente, expandem ocupando até o século XV, outros territórios: Kosovo, Sérvia, Bósnia, Croácia, etc.
Em 1690, os Sérvios tentaram se livrar dos turcos e foram derrotados. Migraram para o norte da península e abandonaram as terras nas mãos dos albaneses convertidos ao islamismo.
Em 1873/1882, sérvios e montenegrinos vencem os turcos e Kosovo continua sob domínio turco.
Em 1912 e 1913, Ocorre a chamada Guerra Balcânicas. Os turcos são derrotados e a região
ganha autonomia total dos otomanos.

Com a decadência do Império Otomano á partir do século XIX dá-se a fragmentação dos seus domínios sob a pressão de três outros impérios: Alemão, Austro-húngaro e Russo. Os russos derrotam os turcos que são obrigados a assinar o Tratado de Berlim em 1878, reconhecendo a independência da Sérvia e do Montenegro; Áustria-Hungria ganha a administração do
território da Bósnia-Herzegovina contra a vontade dos Sérvios. A Bósnia seria posteriormente
anexada pelos Habsburgos (dinastia austríaca) em 1908.

Nesse momento, os Bálcãs passará a sofrer pressões de grupos de países com interesses expansionistas. De um lado, os austríacos (pan-germanismo) que pretendia o domínio
sobre a região; De outro, os russos, que não pretendiam ocupar a região, mas incentivavam, através do paneslavismo, a independência dessas minorias, como forma de facilitar seu
acesso ao Mediterrâneo.

Em 1914, o assassinato do Arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono austríaco, foi pretexto para iniciar Iª Guerra. Em 26 de junho de 1914, o estudante Gravilo Princip, um nacionalista sérvio, mata o arquiduque. O assassinato ocorreu em Sarajevo, capital da Bósnia-Herzegovina. A Sérvia não teve participação direta no crime, mas a Áustria não
quis saber de desculpa, impôs severas exigências á Sérvia e não sendo atendidos declara
guerra a esse País. A Rússia entra do lado sérvio. A Alemanha, aliada á Áustria, declarou
guerra á Rússia e depois á França.

A derrota da Alemanha e seus aliados em 1918 fazem com que o mapa geopolítico da Europa seja redesenhado. Desaparece o Império austro-húngaro e surge dois países: Polônia e Tchecoslováquia; Sérvios, croatas e eslovenos, para não se submeterem ás potências maiores, resolvem se unir constituindo-se no Reino Sérvio-Croata-Esloveno que em 1929, passa a se chamar Iugoslávia (“Eslavos do Sul”), congregando 7 povos: sérvios, croatas, eslovenos, macedônios, montenegrinos, Bósnia-Herzegovina e os albaneses.

IIª GUERRA MUNDIAL: DESESTABILIZAÇÃO


  Em 1939, quando inicia a IIª Guerra Mundial a Europa se encontrava dividida, novamente,
em dois grupos antagônicos: O Eixo liderado pela Alemanha e Itália e os Aliados onde se destacavam a Inglaterra, a França e a URSS. Quatro povos balcânicos apoiaram Hitler (eslovenos, croatas, búlgaros e albaneses) e outros dois apoiaram o grupo da URSS (gregos e sérvios). A Alemanha nazista invade, em 1941, a Iugoslávia, surgindo um Estado croata-fascista com oposição da Sérvia. Hitler bombardeia a Iugoslávia e inicia-se um processo de resistência dos sérvios.
Com apoio dos aliados, os Sérvios vencem a Alemanha.

Durante a IIª Guerra haviam surgido duas guerrilhas de resistência aos nazistas: os pró-monarquistas e os comunistas comandados pelo Marechal Josip Broz Tito. Este derrota os monarquista, liberta o país e impõe um regime de força que o manterá no poder por 35 anos,
até sua morte em 1980.

A Iugoslávia ficou, então constituída por seis repúblicas: Sérvia, Eslovênia, Croácia, Bósnia-Herzegovina, Montenegro e Macedônia e por duas regiões autônomas: Kossovo e Voivódina. Uma verdadeira colcha de retalhos étnico-religioso: cinco povos, quatro línguas, dois alfabetos, três religiões (católicos, Ortodoxos e Mulçumanos).
O Marechal Tito deu a essa orquestra desafinada a aparência de uma unidade, mas, na verdade, 
as diferenças culturais e religiosas ficaram penas adormecidas. Com sua morte, em 1980, teve
início, novamente, a desintegração da Iugoslávia.

Josip Broz Tito


No decorrer da IIª Guerra Mundial o marechal Josip Broz Tito liderou um movimento de
resistência na Iugoslávia contra a Alemanha nazista e, em 1945, tomou o poder em Belgrado.
O início de seu governo foi conturbado. Era preciso reconstruir o país devastado pela guerra e transformar a estrutura econômica agrária para uma estrutura industrializada.


Aliou-se á URSS e foi fiel ao modelo comunista soviético por três anos.
Em 1948, desafiou Josep Stalin, rompendo com Moscou e criando uma forma de comunismo “liberal”.
Somou á ortodoxia marxista, o pragmatismo político. Passou a aceitar ajuda
econômica e empréstimos, tanto de países comunistas quanto, principalmente,
de países capitalistas ocidentais.

Desmontou o aparelho político burocrático e abandonou a coletivização rural (o Estado
proprietário das terras e o trabalho socializado). O governo era colegiado (representantes
das várias minorias) e rotativo, no qual ele era a autoridade máxima e vitalícia.

Em relação á sociedade e economia e, principalmente, em relação á classe trabalhadora promoveu inovações contraditórias ao modelo comunista: introduziu a “autogestão operária” onde os
operários passaram a ter uma participação, inclusive financeira, nas indústrias; Grande parcela
dos antigos proprietários de terras tiveram permissão para manter suas propriedades e alguns empreendimentos comerciais puderam continuar privados. Assim, o sistema, que em tese, era comunista, na verdade apresentava um certo ecletismo pólitico-econômico-sócio-administrativo.
Não era comunista, nem capitalista evoluindo em várias direções ao mesmo tempo.
Tito foi um governante forte, carismático, competente e estas qualidades lhe permitiu manter a unidade das nacionalidades balcânicas. Sua morte, em 1980, desestabilizou a região.

Á partir de 1990, o colapso na URSS e no leste europeu, fez renascer as diferenças e ódios guardados por décadas dando início a uma onda separatista violenta que ocorre hoje.

BÁLCÃS: de 1990 aos dias atuais


Sérvia + Montenegro


Estas duas repúblicas continuavam relativamente unidas formando a nova Iugoslávia. A Sérvia conservava o governo comunista e o poder estava nas mãos de Soblodan Milosevic.

Slobodan, preso em 1999, está sendo julgado por "crimes de guerra, crimes contra a
Humanidade e genocídio" nos três conflitos que desmembraram a ex-Iugoslávia na década de
1990: Croácia, Bósnia e Kosovo. A situação na Servia começou a modificar á partir de 2000 com a ascensão do novo presidente, Vojislav Kostunica.

Em 14 de março de 2002, os dois presidentes, Vojislav Kostunica (Sérvia) e Milo Djukanovic (Montenegro), assinaram um acordo que prevê reestruturar o Estado Iugoslavo, formando um Estado único com um novo nome: Sérvia e Montenegro.
Os dois estados assumem uma posição de semi-independentes. Vão compartilhar defesa e política externa comuns, mas manterão separadas as economias, moedas, serviços alfandegários por um período de três anos até a integração total ou separação. 
Em 09 de março de 2002, o parlamento dessas duas repúblicas, aprovaram o acordo.

Religião: Maioria Cristã Ortodoxos

Croácia


Declarou sua independência da Iugoslávia em junho de 1991. A Sérvia não aceitou, entrou em guerra e ocupou 30% do território. Em janeiro de 92 foi assinado um cessar-fogo com supervisão da ONU. Em 1995, recapturou os territórios que tinha perdido para a Sérvia
Religião Cristã Católicos

Bósnia-Herzegovina


A Bósnia-Herzegovina Integrava a então República Socialista da Iugoslávia, juntamente com a Eslovênia e da Croácia. Em fevereiro de 92 aprovou, com referendo da população, sua independência, tornando-se um Estado soberano em 06 de março de 1992. Os sérvios e croatas, residentes na Bósnia não aceitaram e passaram a combater o governo bósnio com apoio do exército sérvio. Em novembro de 1992 conseguiram derrotar os sérvios e se tornaram independentes. O impasse continuou até 1995, quando um acordo pôs fim á guerra. A Bósnia foi dividida em duas entidades: Uma croata-mulçumana e outra Sérvia.
População de, aproximadamente, 3.900,000
Religião mulçumana

Eslovênia


Declarou sua independência em junho de 1991 e em dezembro se tornou um Estado independente. Parte do exército, fiel á Sérvia, se revoltaram, e atacaram os separatistas. Logo foram dominados e desde então a Eslovênia se manteve livre.
Religião: cristãos católicos
a maioria (88%) da população são de origem eslava, 2,7% de croatas, 2,4% de sérvios,
1,4% de muçulmanos, 5,9% de outras nacionalidades
População: 1.863.000

Macedônia


 Votou sua independência em setembro de 1992, mas muitos países não reconheceram a autonomia, devido litígio ainda existente com a Grécia. Á partir de 1995, houve o reconhecimento internacional. Nome oficial: Republika Makedonija  - capital: Skopje
População: 2.174.000
Composição étnica: 67% macedônios - 23% albaneses - 4% turcos - 2% sérvios - 4% outros
Religião: 54% cristãos ortodoxos - 30% mulçumanos - 16% outros

Kosovo


  Região que fazia parte da Servia, mas é disputada pelos albaneses (grande parte da população).
Os Sérvios pretendendo expulsar os albaneses da região promoveu violentos combates no local com chacinas e torturas o que chamou a atenção da comunidade internacional. A ONU se envolveu e ocupa a região desde 1999 concedendo autonomia provisória a Kosovo(acordo de Rambouillet)
e administrando-a juntamente com a OTAN. No momento, o território continua oficialmente fazendo parte da Sérvia.
Religião: mulçumana
população (82,2% de albaneses, 10% de sérvios, 2,9% de muçulmanos,
2,2% de ciganos, 2,7% de outras nacionalidades).

Albânia


Os albaneses estão entre as populações mais pobres da Europa, espalhados pelos Bálcãs: 3,2 milhões na Albânia; 1,5 milhão no Kosovo (onde representam 90% da população); 500 mil na Macedônia; 500 mil na Grécia, 100 mil na Sérvia e 50 mil no Montenegro. Isso sem contar o 1,2 milhão que emigrou para os EUA, Alemanha, Suíça e outros países europeus. Na Macedônia os albaneses são considerados cidadãos de segunda classe. Em Kosovo, a população majoritariamente albanesa sofria as consequências da cruel política de “limpeza étnica” do ex-ditador sérvio Slobodan Milosevic.
 

Atualmente, na Albânia, os grupos religiosos estão divididos em:
Muçulmanos 70%, Católicos Ortodoxos Albaneses 20%, Católicos Apostólicos Romanos 10%

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Eustáquio Lagoeiro Castelo Branco
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pós-graduado com especialização em informática educacional
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