Ciranda
de Pedra
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Ciranda de Pedra
de Lygia Fagundes Telles

Fontes*
 
Esse primeiro romance de Lygia Fagundes Telles, escrito em 1954, é uma obra atual e tem tudo a ver com os dias de hoje pois trata de temas recorrentes da obra da escritora, como o amor, a morte, a fragilidade da alma humana, a solidão, a loucura, a crueldade e o sonho, todos muito bem explorados numa narrativa viva e sensível.


Na avassaladora maioria dos casos as pessoas são geradas
dentro de uma família comum, uma entidade social que é uma representação, em menor escala, da Sociedade na qual esta se insere. Destarte, a família representa o primeiro contato do indivíduo com seu agrupamento social. Juntamente com a língua, compete à família a transmissão de valores, a iniciação à educação moral, enfim, a educação do indivíduo dentro daquilo que a sociedade quer para si.
Através da família e, posteriormente da escola, o grupo social lega a cada ser
um vasto arcabouço cultural que, se não delimitam as proporções da consciência, ao menos influi muito sobre ela. Eis como isto se mostra nos romances de Lygia Fagundes Telles.

Visto que a conjuntura social influi nos atos das personagens, ao menos no
nível em que eles se expressam, o que quase nunca coincide com o que se
passa em seu interior, resta destacar outros dois temas costumeiros nos romances de Lygia Fagundes Telles, também de forte ressonância dentro da sociedade: a religião e o sexo. Tal qual no Gênese, estes dois são vistos como opostos, embora se intercalem num paradoxo sofrível para aqueles que não conseguem equacionar a vocação para primeira e as pulsões do segundo.

Aliás, nos romances de Lygia Fagundes Telles, resta bem pouca opção para aqueles que querem harmonizar estas duas constantes. Alguns se entregam

 aos vícios do mundo, embora saibam-nos vazios e pouco compensadores, outros se entregam a
uma fé estóica.

Determinismo e Individualidade

Neste ligeiro ensaio não se pretende apontar qualquer tipo de determinismo social na obra de
Lygia Fagundes Telles, pretende-se apenas realçar a influência que o meio desempenha em cada pessoa, bem como a luta personalíssima que cada um deve travar para afirmar-se em uma como
ente autônomo dentro de uma Comunidade, mormente como a nossa, que almeja cada vez mais
ser Universal e, com isto, desrespeitando o que possa haver de traços particulares dentro do ser, embora inexplicavelmente destrate quem não os apresente.

Parte do encanto da autora vem exatamente de sua fina argúcia para este desabrochar da personalidade, tema tão bem tratado em cada um de seus romances.

Suas personagens parecem manter uma conduta condizente com seu papel na Sociedade.
Vestem a máscara social que lhes cabem e atual coerentemente com esta identidade pela qual
são conhecidas. Em suma, não se desvencilham daquilo que Jung chama de persona, entendido
como conjunto de atitudes que se espera de alguém que represente dada função dentro da Coletividade. Contudo, os personagens de Lygia Fagundes Telles , não obstante este aparente comportamento até estereotipado, mantém vida interior das mais intensas e expressão desta
vida e desta intensidade é o que empresta o qualificativo grande ao denominativo escritora que Lygia Fagundes Telles merecidamente ostenta.
..........

A história de Virgínia e suas irmãs se passa numa época em que as mulheres se vestiam com sobriedade, usavam luvas e chapéu para ir ao centro da cidade tomar chá com as amigas e olhar
as vitrines. No entanto, o primeiro romance de Lygia Fagundes Telles, escrito em 1954, é uma
obra atual e tem tudo a ver com os dias de hoje pois trata de temas recorrentes da obra da
escritora, como o amor, a morte, a fragilidade da alma humana, a solidão, a loucura, a crueldade
e o sonho, todos muito bem explorados pela narrativa viva e sensível de Lygia.

Na verdade, Lygia baseou-se num fato real para escrever Ciranda de pedra. Numa de suas caminhadas a pé, passou em frente a um casarão que estava sendo demolido. Ela entrou, passeou pelos cômodos vazios e encantou-se com uma fonte cercada por anões de pedra, a mesma que descreve no livro. E imaginou os dramas que se desenrolaram naqueles jardins, as tristezas e alegrias que envolveram os antigos habitantes daquela casa.

Ciranda de pedra conta justamente a história de uma família que se desagregou com a separação
dos pais. Uma das filhas, Virginia, fica morando com a mãe doente e o segundo marido dela,
numa casa pequena e desconfortável. As outras duas meninas acompanham o pai, que mora num casarão cercado de riqueza e conforto. As personagens do livro são apanhadas em situações aparentemente banais, que fazem parte da vida de qualquer pessoa. Há, no entanto, algo que as desintegra e as vai desnudando até que mostrem suas fragilidades, seus medos, suas loucuras.



Romance clássico, best-seller nacional, Ciranda de pedra teve adaptação para TV em 1981
e revelou Lygia Fagundes Telles como uma das mais representativas expressões
da moderna ficção brasileira.

Enredo


O livro, que basicamente conta a história de Virgínia, estabelece em duas etapas, o trajeto cheio
de conflitos da vida da menina, desde a infância até os vinte anos de idade.

Virgínia tem uma infância solitária; filha de um casal separado, é obrigada a dividir-se entre
dois ambientes familiares que contrastam radicalmente: Laura e Natércio.

Virgínia vive com Laura, sua mãe, separada do marido, Natércio - advogado convencional,
severo, seco de gestos e de afeto. Sua infância é marcada pela tristeza e solidão.

Quando da separação, Laura foi viver em casa de Daniel, seu antigo médico, levando
consigo Virgínia.

Em casa de Daniel, Laura conta com Luciana, empregada antiga e dedicada, para os cuidados
tanto do dia-a-dia doméstico, quanto para com Virgínia, que é ainda muito jovem.

Luciana exerce grande influência no espírito da menina. Laura, já muito doente, tem seu estado
de saúde agravado, apesar de todos os cuidados e desvelo que Daniel concede a ela, inclusive recorrendo a todos os seus recursos financeiros para as despesas de saúde que exigem o estado
de sua querida paciente. Sendo assim, a infância de Virgínia é marcada por grandes dificuldades:
de um lado, as financeiras que não permitem à menina realizar pequenos desejos e sonhos
(trocar a mobília, por exemplo), posto que todos os recursos de Daniel são voltados
principalmente para os cuidados com sua mãe; de outro lado, a solidão em que vive e o
profundo sentimento de rejeição pois ela não se sente aceita sequer na casa de Natércio por
ocasião das visitas semanais que lhe faz.
 

Estes sentimentos e conflitos nos são apresentados quando vamos conhecendo detalhes como o
fato de Virgínia possuir duas irmãs, Bruna e Otávia que vivem em companhia do pai, Natércio, advogado conceituado que desfruta de bons recursos econômicos, conseqüentemente vivendo
estas últimas em condições (econômicas) mais confortáveis que Virgínia (que, entre outras coisas, usa roupas reformadas da mãe, ou das irmãs, bem como os móveis de seu quarto, que são
"sobras" do quarto reformado de Otávia).

Seu sofrimento e amargura se afloram tanto mais quando de suas visitas à casa de Natércio,
muito grande e bonita, com vasto jardim onde existe uma ciranda de anões de pedra com uma
fonte, local que ela costuma com freqüência visitar. Mas, apesar da ciranda de
anões que ela ama, Virgínia sente-se muito desconfortável na presença das irmãs que a hostilizam e nas quais ela só vê qualidades, enquanto que ela, Virgínia,
ao seu modo de ver, só tem defeitos. Sente-se desconfortável também por não conseguir de Natércio, gestos de carinho e afeto de que ela tanto necessita e
que ele não oferece, posto que é um homem muito convencional e severo.

Angústia e solidão. São estes os sentimentos que Virgínia conhece quer na casa de Natércio
quer na casa de Daniel. Nesta última, a menina não pode sequer aproximar-se da mãe pois
esta tem raros momentos de lucidez e encontra-se em estado físico e mental bastante precários.

Distante também é seu relacionamento com Daniel, com quem até hesita em alguns momentos,
entre o desejo de ter alguma atitude mais afetuosa, porém recuando sempre, na dúvida de
como seria recebido seu gesto.

O sonho de Virgínia, nessa época, se resume entre o desejo de ir morar com o pai e as
irmãs, e, o que seria a realização máxima, a recuperação de sua mãe com o conseqüente retorno
das duas para aquela casa e a família novamente reunida. Porém, o estado de saúde de Laura se agrava, fazendo com que Virgínia realize parte de seu sonho: ela volta a morar naquela casa, passando a conviver com as irmãs, Bruna e Otávia, com Fraulein Herta (a governanta), e os
amigos Conrado (por quem é apaixonada), Letícia (irmã de Conrado) e Afonso.

No momento em que Virgínia volta a morar naquela casa, ela se dá conta de que aquele
ambiente familiar com o qual ela sonhava, era uma ilusão. Sentindo-se rejeitada pelas irmãs que criticam a mãe por ter-se separado do pai, e sem receber de Natércio o afeto, apoio e carinho
que esperava, a menina percebe que não há lugar para ela nesse fechado círculo. Compara a
ciranda de anões de pedra do jardim, que era sua paixão, com o grupo tão fechado formado
por Bruna, Otávia, Afonso, Letícia e Conrado.

É nesse conflito de sensações que, duas semanas após a sua chegada àquela casa, Virgínia
recebe a notícia da morte da mãe, seguida do suicídio de Daniel. É também nessa circunstância
que Luciana (que era apaixonada por Daniel), num momento de profunda dor, revela à menina, durante uma visita, que Daniel era seu verdadeiro pai. Sente-se, então, mais sozinha do que
nunca e, dando-se conta que jamais seria aceita no grupo, da maneira que desejava, pede a
Natércio que a interne no colégio, pedido este que é por ele aceito.

A segunda parte do romance tem início com uma Virgínia já adulta deixando o colégio e
voltando para a casa de Natércio. Acreditando que já havia superado todas as suas angústias
chega àquela casa, mas não demora a perceber que o grupo continua fechado: uma ciranda de
pedra mais rígida que nunca. Bruna, ainda mais moralista, havia se casado com Afonso. Otávia, alienada, dedicava-se à pintura e a alguns amantes ocasionais. Natércio, envelhecido, já não trabalhava mais. Frau Herta estava doente, só e abandonada em um cômodo sujo e pobre de um bairro afastado. Letícia, agora, dedicava-se ao esporte: uma tenista premiada e que se
interessava apenas por mulheres. Por fim, Conrado, seu grande amor de infância, amor que
ardia ainda em seu coração, vivia isolado, recuado, com sérios problemas sexuais.

O retorno de Virgínia ao convívio com o círculo familiar reabriu-lhe as antigas feridas.
Mas é neste momento também que ela percebe a real face de cada componente da ciranda, suas fraquezas, suas amarguras. Cada máscara se rompe. Ela se dá conta do que, na verdade, se
escondia por trás daquela hostilidade e rejeição: ela era desejada por todos ao mesmo tempo e,
por isso, temida. Aos poucos, então, vai-se apresentando uma Virgínia mais amadurecida e forte, independente e segura. Ela abandona, por fim, as tentativas de sua entrada nesse círculo fechado, decidindo-se por uma longa viagem, sem perspectiva de volta. Não mais a ciranda de pedra, não mais o desejado jardim, não mais os sonhos. Nem mesmo Conrado. Tudo havia ficado no passado. Mas, como uma rocha, em suas lembranças estaria gravado. "...um dia, um besouro caiu de costas.
E besouro que cai de costas não se levanta nunca mais".


Biografia

Lygia Fagundes Telles, advogada, contista e romancista, nasceu em São Paulo, SP, em 19 de
abril de 1923. Eleita em 24 de outubro de 1985 para a Cadeira n. 16, sucedendo a Pedro Calmon,
foi recebida em 12 de maio de 1987, pelo acadêmico Eduardo Portella.

Filha do magistrado Durval de Azevedo Fagundes e de Maria do Rosário de Azevedo Fagundes,
passou a maior parte da infância em cidades do interior do Estado onde seu pai foi
delegado e promotor público. Formou-se na Escola Superior de Educação Física e,
a seguir, ingressou na Faculdade de Direito de São Paulo. Ali participou ativamente
da vida literária universitária, integrando a comissão de redação das revistas
Arcádia e XI de Agosto.

Casou-se com o professor Goffredo da Silva Telles Júnior. Desse casamento tem um filho,
Goffredo da Silva Telles Neto, cineasta. Foi casada depois com o professor e escritor Paulo
Emílio Salles Gomes, fundador da Cinemateca Brasileira, falecido em 1977.

Como funcionária pública, veio a ser Procuradora do Estado. Foi presidente da Fundação Cinemateca Brasileira em São Paulo durante quatro anos e também vice-presidente da União Brasileira de Escritores.

Começou a escrever contos ainda adolescente. Estava na Faculdade quando seu livro Praia viva
foi publicado em 1944. Em 1949, seu volume de contos O cacto vermelho recebeu o Prêmio
Afonso Arinos da Academia Brasileira de Letras. Mais tarde, porém, a autora rejeitou seus primeiros escritos, por considerá-los imaturos e precipitados.

Segundo o professor Antônio Cândido, seu romance Ciranda de pedra, publicado em 1954,
seria o marco da sua maturidade intelectual. Sua obra tem merecido a melhor crítica no Brasil
e no exterior, com livros publicados com grande sucesso. A presença de Lygia Fagundes Telles
na vida literária brasileira é constante também pela sua participação em congressos, debates e seminários.

Pela sua obra literária recebeu diversos prêmios: Prêmio Afonso Arinos da Academia
Brasileira de Letras (1949); Prêmio do Instituto Nacional do Livro (1958); Prêmio Boa Leitura (1964); Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro (1965); Prêmio do I Concurso Nacional
de Contos do Governo do Paraná (1968); Prêmio Guimarães Rosa da Fundepar (1972); Prêmio Coelho Neto da Academia Brasileira de Letras (1973); Prêmio Ficção, da Associação Paulista
dos Críticos de Arte (1974 e 1980); Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro (1974);
Prêmio do Pen Clube do Brasil (1977); Prêmio II Bienal Nestlé de Literatura Brasileira Contos (1984), e Prêmio Pedro Nava, o Melhor Livro do Ano (1989).

Obras

Ciranda de pedra, romance (1954);
Histórias do desencontro, contos (1958);
Verão no aquário, romance (1963);
Histórias escolhidas, contos (1964);
O jardim selvagem, contos (1965);
Antes do baile verde, contos (1970);
Seminário dos ratos, contos (1977);
Filhos pródigos, contos (1978);
A disciplina do amor, fragmentos (1980);
Mistérios, contos (1981);
As horas nuas, romance (1989);
A estrutura da bolha de sabão, contos (1991);
A noite escura e mais eu, contos (1995).

Escreveu, em parceria com Paulo Emílio Salles Gomes, o livro Capitu, adaptação livre
do romance Dom Casmurro (1993).

Fontes de Referências

http://www.rocco.com.br/shopping/ExibirLivro.asp?Livro_ID=85-325-0815-4

http://www.jayrus.art.br/Apostilas/LiteraturaBrasileira/Modernismo45/Lygia_F_Telles_
Ciranda_de_Pedra_resumo.htm

http://www.releituras.com/lftelles_bio.asp

http://www.crmariocovas.sp.gov.br/ntc_l.php?t=013v

2° Lugar - Ensaio
“A Difusa presença do contexto social nos romances de Lygia Fagundes Telles”,
de Cláudio Sérgio Alves Teixeira
(E.E. Prof. Alberto Bacan; D.E. Guarulhos Sul; Guarulhos)

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