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A Crise Econômica de 1929
Eustaquio Lagoeiro Castelo Branco

Podemos considerar o capitalismo um regime que oficialmente foi implantado á partir de finais do século XVIII, após a "Era das Revoluções". Atravessou alguns momentos de angústia representada pela Iª guerra Mundial e a Revolução Russa de 1917. Mas, a crise de 29 responde pelo seu derradeiro teste de sobrevivência.O primeiro momento real de crise do capitalismo.

Do século XIX até início do século XX, a economia mundial tinha seu eixo de importância na
Europa. Países como Inglaterra, França, Alemanha e outros comandavam as decisões econômicas, estabelecia estratégias financeiras, controlava mercados consumidores, monopolizava fontes de matérias primas, ditava preços e prazos.
A libra esterlina era a moeda de troca internacional. Ali estava reunida a fortuna do mundo.

Mas, já no início do século XX, crises, conflitos e vaidades políticas prenunciavam tempestades
no horizonte, nem sempre azul. Os países europeus, por não conseguirem conciliar interesses, acabam por se envolver num confronto mundial que, praticamente, pôs fim a essa "Belle Époque".

O grande beneficiado foi os Estados Unidos. Já na virada do século, quando os ânimos entre os países europeus se acirraram, os americanos do norte aproveitaram-se da situação para se infiltrarem nas regiões sul e central da América é, gradativamente, conquistar um certo predomínio econômico nessas regiões, conquistando mercados e substituindo os europeus na exploração econômica da América latina.

Veio a guerra, e mais uma vez, vantagem para os Estados Unidos. Os países europeus em guerra voltaram sua produção para a indústria bélica, diminuindo a produção de bens de consumo geral. Produtos manufaturados americanos eram exportados em
massa para o mercado europeu.

Em 1918, Terminada a guerra, novamente a presença americana é flagrante. Empréstimos e mais empréstimos são contratados pelos europeus visando à reconstrução dos
países destruídos.

Esses fatores condicionaram aos EUA uma prosperidade sem precedentes. Um período
de grande abundância gerou uma idêntica euforia social. Os empresários americanos nadavam
em capitais.
Exportava também o "modelo de homens de negócios", o Self-made-mam. Aquele empreendedor, que, saindo das camadas humildes da população, competentemente prosperou.
Toda essa riqueza gerou, nos EUA, um novo ideal de vida ou um novo estilo de vida americano, o "american way of life".

Euforia total, alegria geral, contagiante entusiasmo. Mas...breve e de presságios fúnebres.

A Crise


Por volta de 1929, a festa termina numa violenta crise econômica que abalará todo o alicerce
da economia mundial. A produção cresce, o consumo diminui, a bolsa de valores quebra, as
industrias entram em bancarrota e a miséria impera.

Como tamanho desastre pode ocorrer?

Com final da primeira Guerra, o EUA passa por um "boom" econômico. Empresas industriais e agrícolas proliferam e desenvolvem-se. Grandes conglomerados de empresas com capital aberto
se tornam comuns. As Bolsas de Valores tem movimento fora do comum e a especulação com
ações é o grande atrativo do momento. Oferecia-se enriquecimento imediato e fácil a quem adquirisse ações. Eram ações de cia de seguros, agrícolas, minas, grandes supermercados, bancos, etc. Todos e de todas as classes sociais praticavam esse "esporte" financeiro, empregando
nisso todas as suas economias.

Essas empresas fartamente capitalizadas produzem cada vez mais para atender, tanto o mercado consumidor americano, como o mercado europeu e latino americano, gerando, com isso, uma superprodução de mercadorias.
Mas, se existe mercadorias em excesso, segundo a lógica do mercado capitalista, não existe inflação.
Se não existe inflação, não há necessidade de aumento de salários.
Bem! Todos nós sabemos, por experiência própria, que ausência de inflação é uma grande mentira. Afinal, as instituições encarregadas pelo cálculo da inflação são controladas pelo governo que tem interesses outros em demonstrar um equilíbrio financeiro de suas administrações. Por isso, os resultados são camuflados e maquiados. E isso ocorre em todos os lugares e em todos os momentos da história.
Os EUA, a par de todo seu desenvolvimento, não era e nem é, diferente.
Poderia, segundo os cálculos não haver inflação, mas, os salários a cada dia perdiam seu poder de compra e a população consumia cada vez menos provocando um subconsumo.

Repercussão


Paralelamente, nessa altura do "campeonato" os europeus vinham, gradativamente, recuperando sua economia e, lentamente, diminuindo as importações de produtos americanos, o que reflete no problema de subconsumo americano.
Essa diminuição no consumo de produtos americanos, paralelo á produção em excesso produz uma equação inexeqüível e indeterminada: superprodução "versus" subconsumo. Como resultado, as mercadorias em excesso eram estocadas. As empresas tiveram que diminuir a produção, os lucros comprimiram. Os dividendos não tão atraentes.

Gradativamente, as pessoas começam a se desinteressar pela posse de ações e tentam se livrar desses ativos financeiros. Os preços destas começam a cair, a oferta aumenta e o pânico a contaminar quem as possuía.

Por fim, numa Quinta feira, fatídica, 24 de outubro, a Bolsa de Nova Iorque, ultrapassa seu recorde, oferecendo milhares e milhares de ações para venda. Os valores despencam a quase
zero e a bolsa quebra.

Providências Iniciais


O presidente americano, Hebert Hoover, assume as primeiras medidas. São medidas provisórias: estancam as importações e exigem o repatriamento dos capitais emprestados aos outros países. Como resultado as empresas, principalmente européias, passam por dificuldades e procuram salvação na despensa de funcionários causando desemprego.
O desemprego enfraquece mais ainda o mercado consumidor.
E o comércio mundial e paralisado.

Fortunas desapareceram da noite para o dia. E isto ocorre não só nos EUA, mas no mundo todo. Fábricas vão á falência. A miséria e o desespero se instalam em todos os setores da população.
È um espetáculo dantesco e infernal. O diabo comemora.

Resumindo, a precariedade da demanda interna decorrente da má distribuição de renda que por
seu lado gerou um excesso de mercadorias estocadas e conseqüentemente provocou desemprego
foi a mola propulsora que desencadeou a recessão de 29 nos EUA.

As primeiras medidas de contenção dessa crise, exportou-a para outros países, principalmente Europa, que em reconstrução, dependia da saúde da economia americana....esse o quadro, periclitante, que se delineou no pós Primeira Guerra Mundial e se estendeu
tentacularmente até por volta da segunda Guerra.

Claro, essa é uma explicação imediatista. Os verdadeiros motivos estariam e seriam estruturais,
ou seja, no perfil da economia que se alicerçou á partir das teorias econômicas
gestadas desde os finais do século XVIII.

New Deal


Para solucionar o problema, modificações na política econômica tiveram que serem
feitas em vários países visando combater os efeitos da crise. Nos EUA, quando o
novo presidente, Franklin Delano Roosevelt, foi eleito em 1932, pelo partido democrata as medidas começaram a surtir efeito.
Com uma série de reformas antiliberais, com intensa intervenção do estado na economia, a situação foi se modificando. Esse conjunto de reformas foi denominado
de "New Deal" (Nova Organização ou Novo Acordo) e se baseava nas proposta do economista inglês John Maynard Keynes. Essas medidas se resumiam em:

Empréstimos ilimitados aos bancos para que pudessem disponibilizar uma linha de
crédito controlado àqueles que tivessem em dificuldades e pudessem retornar
ás atividades produtivas;
Pagamento aos fazendeiros de uma indenização que cobrisse os prejuízos com a
queima do excesso de produção. Tinha por finalidade equilibrar a oferta
de produtos fazendo assim os preços subirem;
Auxilio aos Estados concedendo-lhes subsídios para que pudessem aumentar
os salários dos empregados e criar um seguro-desemprego. Essa medida visava
fortalecer o mercado consumidor;
Controle da jornada de trabalho, fixando-se um salário mínimo, proibição do
emprego de crianças e das horas-extras;
Legalização dos sindicatos para que pudessem negociar contratos
coletivos de trabalho;
Promoção de um amplo programa de obras públicas (barragens, estradas,
portos, hidrelétricas, habitação popular) para dar emprego
á massa de desempregados;
Ampliação e estatização do sistema de previdência social, ficando o
governo responsável pelo amparo ao trabalhador em caso de invalidês,
velhice e desemprego;
Controle severo sobre os preços dos produtos; cobrança de taxas sobre bebidas
e sobre outros produtos supérfluos;
Etc


Essas medidas levaram a criação do Estado que se caracterizava pela promoção do bem
estar social ou Welfare State.

Conclusão


A Crise havia atingindo a todos, não só os Estados Unidos. Na Europa, na Ásia e até na
África.
O Brasil que tinha sua produção centrada no cultivo do café, não resistiu ao ver sua mercadoria apodrecer nos silos por falta de comprador e pelos preços defasados. Como a economia
brasileira era dependente desse produto também foi afetado.

Na Europa, os países desesperados para se safarem, tomaram medidas várias. Alguns
como Alemanha e Itália tiveram que adotar regimes autoritários para conseguirem
implementar medidas impopulares. A confusão provocada pela crise criou, na Europa,
o clima responsável pela eclosão da Segunda Guerra Mundial.


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Eustáquio Lagoeiro Castelo Branco
Webmaster, Webwriter, professor graduado em história e sociologia,
pós-graduado com especialização em informática educacional
eduquenet@eduquenet.net

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