Delinqüência
na Escola
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Delinqüência Juvenil e Leitura
Vicente Martins

Uma dificuldade de leitura pode levar uma criança à delinqüência juvenil?
Cremos que sim.
Há uma relação muito estreita entre leitura e pensamento, entre leitura e atitude e mais estreita ainda é a relação entre rechaço e maus leitores, de
que modo que as investigações recentes, na psicopedagogia, apontam para
um grau de contigüidade entre leitura e delinqüência juvenil. 

O comportamento do delinqüente, no meio escolar, em geral está associado com alguma
dificuldade de aprendizagem relacionada linguagem.
As crianças com dificuldade parcial de ler bem, quase sempre, são alunos isolados, mas
alunos que procuram superar suas limitações lingüísticas com comportamentos mais
agressivos, rebeldes e violentos.

As notas baixas nas disciplinas escolares refletem muito as limitações cognitivas e
lingüísticas dos maus leitores, mas a destreza no esporte, na arte, muitas vezes podem, doutra
sorte, revelar um sentimento de rebeldia que pode perdurar na fase adulta.

Não há aqui, intenção de estabelecer dicotomia ou maniqueísmo, todavia os maus leitores são potencialmente os alunos que mais oferecerão problemas de indisciplina ao setor
psicopedagógico da escola. 

Durante dois anos observamos e constatamos que as dificuldades de leitura e a delinqüência
juvenil são tipos de problemas que caminham juntos e, portanto, exigem uma intervenção
por parte dos agentes e autoridades educacionais.
Uma política de leitura não apenas compensaria o déficit cultural dos alunos como também
iria engajá-los no discurso da sociedade da informação.

Enquanto isso, sobra a difícil tarefa de domesticação de atitudes dos alunos por parte dos
abnegados professores, em particular, os da rede pública de ensino, que se deparam hoje
não apenas com dificuldades domésticas, materiais e pedagógicas nas salas de aula, mas têm, também, como tarefa árdua o enfrentamento da questão social a que a escola pública está inserta. Refiro-me à delinqüência juvenil revelada nas gangs e nas brincadeiras violentas e
agressivas no meio escolar. 
 

Muitos alunos cometem atos anti-sociais não porque são pobres ou por passarem privação
cultural, e sim, porque, estando nas escolas (sejam públicas ou não), não têm rendimento
escolar e padecem com transtornos de linguagem como as dificuldades de ler e escrever bem e, conseqüentemente, têm baixo rendimento na avaliação escolar.
Quanto mais a criança é inculta, mais propensa à violência por motivos frívolos e banais. Quanto mais a criança é arisca, mais tímida para os embates da vida.

Na minha rápida passagem pela rede estadual de ensino, tomei algumas providências iniciais
para o trabalho com os alunos agressivos e com problemas de conduta: a primeira,
conhecer seus pais e conhecendo sua família ter uma "etiologia" mais clara e definida da
forma de intervenção pedagógica a tomar com relação ao educando; a segunda providência
foi a de levar meu aluno à consciência de suas limitações cognitivas, de natureza secundária, e mostrar-lhes, por exemplo, que, através de uma boa orientação ou reeducação da leitura,
poderiam mudar as próprias atitudes, ideais aspirações pessoais e, finalmente, promover através
da leitura aquisição de conhecimentos e a integração social.

Quanto mais a criança compreende ideologicamente o mundo mais se envolve com uma
práxis da concidadania e se inquieta com as questões de ordem social. 

Os alunos com dificuldades de leitura e, a cada tentativa, frustrados, são levados a gazear
aulas e a freqüentar companhias indesejáveis.
Um aluno que fracassa na leitura, fracassa também na hora de ler um problema na
matemática ou na hora de fazer um exercício de gramática.
Um aluno que fracassa na leitura não encontra sentido algum em ler um
Machado de Assis ou ler os versos de um Camões que estão parafraseados na sua
canção predileta de Legião Urbana.

Um aluno que constantemente fracassa é empurrado de forma perversa para a delinqüência.

Uma última palavra: a privação da leitura interfere no desenvolvimento da personalidade dos
alunos. Um aluno com deficiência de leitura é triste e deprimido, agressivo e angustiado, potencialmente um delinqüente. 

Numa sociedade de informação, ler ou escrever bem é condição de superação da desigualdade
social: se alguns duvidam da tese, eis a rede mundial de computadores revelando um
mundo de novas ocupações fundadas na fluência verbal e na comunicação eficaz.
Se desejarem, voltaremos ao assunto.

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Vicente Martins
Professor Assistente de Língua Portuguesa e Lingüística dos Cursos de Letras e Pedagogia da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). Graduado e pós-graduado em Letras pela Universidade Estadual do Ceará (UECE) com mestrado em Educação e área de concentração em política educacional, pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Coordena, desde 1995, o Núcleo de Estudos Lingüísticos e Sociais(NELSO/UVA).

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