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O desemprego digital... Quando começou? ...
se é que ele existe....
Emerson Henrique da Silva
Sandro Rautenber

Desde os primórdios dos tempos, o homem sempre teve a preocupação de facilitar seus afazeres. Isso pode ser evidenciado pela a invenção da roda e das primeiras ferramentas de caça, por exemplo. Tais inventos influenciavam na questão do trabalho braçal excessivo, incorrendo na maximização dos resultados com um mínimo de esforço. Em outras palavras, se uma tarefa, que antes era desempenhada por muitos, com o passar da evolução, passou a ser realizada com um número menor de indivíduos e com maior eficiência.

Vendo essa pequena história contada anteriormente e fazendo uma analogia com os dias
de hoje, pode-se ver que o computador desempenha o mesmo papel das ferramentas
inventadas pelos homens primitivos.
Em face disso, pode se fazer a seguinte pergunta: “será que o desemprego já não é originário
de uma época muito mais remota?” Ou ainda: “é correto culpar o computador por um fenômeno
que vem acompanhando o homem desde a sua existência?”

Caro leitor, vamos fazer um resgate exemplificado de nossa história e ver que, com o passar dos tempos e avanços tecnológicos, muitas portas foram fechadas, porém, outras tantas foram abertas.

No século 4 A.C., Aristóteles formou o conceito de automação onde, segundo ele, todo e
qualquer instrumento que pudesse desempenhar uma determinada tarefa de forma
independente, evidenciava um processamento autônomo.
Só para ter uma idéia, naquela época, por incrível que pareça, o homem já se preocupava na substituição de sua figura ativa por mecanismos ou engenhos.
Assim foi o caso das marionetes que, com movimentos restritos, substituíam a figura humana
nas peças teatrais e em treinamentos de guerra.
Será que a sociedade daquela época já não sentia os reflexos antecipados dos nossos temores atuais? Boa pergunta, não acha?

Outro exemplo clássico dos reflexos da transformação tecnológica ocorreu no século XIX.
Joseph Marie Jacquard, tecelão francês, criou em 1804 uma máquina de tear automática.
Esta máquina era programada por uma série de cartões perfurados que controlavam
o movimento das lançadeiras, produzindo diversos padrões de tecidos com grande
complexidade de formas para a época.
Foi nesta ocasião que muitos tecelões artesanais saíram às ruas em protesto à substituição
dos homens pelas referidas máquinas. Mal sabiam eles qual progresso estava
intrínseco a este engenho.
Para quem não sabe, o invento de Jacquard serviria de inspiração para o que hoje é conhecido
como computador. Você já pensou se algum futurólogo conseguisse prever tal fato e naquela
época... Acho que Jacquard teria perdido a cabeça em uma “pós-inquisição”.
 

Ok, ok... você pode me contestar quanto a qual representatividade de desemprego que estes
fatos geraram. É óbvio que foram situações muito setorizadas.

Caro leitor, deixe-me traçar um paralelo entre os dois fatos e nossa situação atual.
Na época de Aristóteles, o mundo vivia um processo de construção das grandes cidades como
Roma, Atenas, entre outras. Tais cidades eram consideradas centros de geração do conhecimento. Neste contexto, as artes estavam muito ligadas a essa realidade e empregavam boa parte da população que não estavam ligadas à produção agrícola e ao mercantilismo.

Na época de Jacquard, a produção industrial estava em pleno auge e todos centraram-se,
então, na produção de bens e no fortalecimento do comércio. O setor têxtil foi o carro-chefe no avanço do comércio mundial. E é claro e natural que as pessoas procuram sempre investir onde
elas percebem a possibilidade de êxito.

E o que podemos concluir com isto?

No início, com Aristóteles, a ferramenta de trabalho era a habilidade de ser artista.
Com Jacquard, as máquinas a vapor e correlatas foram as ferramentas. Hoje, o computador
é a nossa ferramenta.
Com tudo isto que se viu, pode-se perceber que a cada onda tecnológica, gerava-se grandes mudanças nas necessidades humanas, refletindo drasticamente no conceito de emprego.
Estima-se que atualmente existam cerca de 800 milhões de pessoas desempregadas no planeta, sendo que no Brasil o número de desempregados representa hoje em média 12%. Mas será que
a esta realidade brasileira é fruto somente do avanço tecnológico?

É óbvio que as empresas vem passando por diversas mudanças estruturais. Para se
tornarem mais competitivas dentro de um mercado globalizado, elas necessitam reduzir custos
e aumentar a eficiência.
As principais mudanças ocorrem na diminuição dos cargos de chefia, terceirização de
serviços e automatização dos processos, é claro.
Existe também a forte tendência do surgimento de empregos “Just in time”, onde as empresas contratam trabalhadores temporários para executarem apenas tarefas específicas.

Disto advém a grande necessidade do mercado, a maior qualificação das pessoas.
Porém, no Brasil, esta necessidade não é suprida. Observe alguns números que evidenciam a
nossa situação: mais de 50% dos trabalhadores podem ser considerados analfabetos (quando se
fala em analfabeto não se inclui apenas as pessoas que não sabem ler, mas também aquelas que sabem ler, porém, não entendem o que está escrito).
Outro ponto interessante é que enquanto em países desenvolvidos a média de permanência dos trabalhadores nas escolas é de 10 anos, aqui é de 3,2 anos. O computador, então, não é o único
fator que faz com que o desemprego seja grande; e sim um conjunto de fatores dentro
de contexto macro.
O que ocorre é que a informática traz modificações mais acentuadas, como já o vem fazendo.
As empresas de ontem, para serem fortes, precisavam ter uma grande quantidade de funcionários.

Já as empresas de hoje mudaram seus valores administrativos. Elas devem possuir funcionários
de qualidade e em menor quantidade, aliadas às tecnologias que permitam a produção de bens e serviços com maior agilidade e perfeição. Como estamos na era da informação, é inevitável
pensar que os empregos continuarão sendo os mesmos, não acha?

Só para termos uma idéia, estudos indicam que em 2015 nos Estados Unidos apenas 2% da mão-de-obra estarão no ramo industrial. Além disto, 75% das pessoas economicamente ativas estarão lidando com pessoas e informações. Isto não indica que a produção industrial vai diminuir, pelo contrário, pode até aumentar, só que com uma quantidade mão-de-obra menor, já que está sendo substituída por máquinas especializadas. Saiba que este quadro já ocorreu, só que em outro contexto. Na época da revolução industrial 80% da mão-de-obra era centralizada no campo, hoje
é de apenas 2% e a produção agrícola é muito maior.

Se observarmos bem de perto o processo de informatização vigente, apesar de tudo que se tem falado, este está introduzindo muitas novas oportunidades de trabalho, com o surgimento de profissões que até então não existiam.
Por exemplo, uma das primeiras necessidades que a informática exigiu logo após o seu
surgimento foi a de alguém que conhecesse o funcionamento do computador e lhe passasse as instruções necessárias ao seu funcionamento, ou seja, era necessário existir um programador de computador.

Na medida em que a informática foi se aproximando mais das aplicações comerciais, foi também necessária a presença de alguém que realizasse o trabalho de projeto na construção de sistemas, pois não adianta criar uma série de programas sem que haja um planejamento. Criou-se, então, a função do analista de sistemas.
Depois veio a Internet, redes de fibras-ótica, intranet, comunicação de dados por ondas de rádio, computação gráfica... Caro leitor, você está preparado a abrir algumas dessas portas?
E se vamos continuar enumerando, encontraremos muitas outras opções como por exemplo:

· especialistas em projetos de arquitetura e design que se utilizam da informática;
· profissionais de assistência técnica;
· técnicos de TV e Internet via cabo;
· comerciantes especializados em produtos de informática ;
· provedores de Internet; e
· Profissionais com conhecimentos de e-commerce.

E para o futuro?

Vamos ver o que diz Jesse Bert, diretor editorial da ZDNET magazine. Ele apontou como “colírio dos olhos” as seguintes profissões:

1. Instalador de rede de banda larga (Broadband network installer): o profissional com conhecimentos em telecomunicações e que saiba preparar e configurar uma rede utilizando a
fibra ótica para um bom desempenho.

2. Especialista de recuperação de desastres (Disaster recovery specialist): aquele que
sabe como reparar os problemas ocorridos quando um vírus ataca o sistema, ou quando
ocorre uma pane no sistema de arquivos, entre outros.

3. Investigador de pirataria (Piracy investigator): uma espécie de “detetive” do novo milênio.
Ele será responsável por vasculhar empresas e pessoas, buscado irregularidades na utilização
de software, para a proteção dos direitos autorais.

4. Programadores de TV interativa (Interactive TV programmers): pessoal que estará por
detrás das WebTV’s , respondendo com agilidade as necessidades de seu público.
Este programador terá que ter boas noções de comércio eletrônico, aliado
ao entretenimento e lazer.

5. Surfistas virtuais profissionais (Professional surfers): profissional que sabe utilizar os
recursos da Internet e conhece os meios para conseguir determinada informação. Este indivíduo
tem que possuir profundos conhecimentos da Internet e estar sempre atualizado. Como o próprio nome já diz, deverá ser um surfista profissional e passar o seu dia navegando pela WEB,
retirando o que tem de mais interessante para servir de base a outros profissionais que
necessitam de informações, mas não sabem exatamente onde conseguí-las.

Mas neste momento não precisamos ir ao futuro para encontrarmos o emprego que está
disponível hoje. Se navegarmos na Internet, encontraremos “precisa-se” em anúncios que estão
há semanas sem serem preenchidos, justamente por não encontrarem a pessoa qualificada.
Portanto, isto é um pequeno enredo do que está acontecendo ou vai acontecer.
Pense que estamos deixando de ser uma sociedade industrial para ser uma sociedade
de serviços e informações.

O amanhã está aberto de novas oportunidades, porém, é necessário que cada um “faça”,
crie suas próprias condições para sobreviver. Estamos no meio de uma “selva tecnológica” e precisamos sair como predadores, buscando nossa caça (sobrevivência), senão, morremos. Disto concluímos que quem quiser sobreviver, deverá fazer acontecer seu amanhã, ser empreendedor, inovador e criativo, além é claro de ter o bom senso de perceber a hora de mudar, caso suas estratégias não estejam dando o resultado esperado.



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Emerson Henrique da Silva  - Acadêmico de Ciência da Computação, UNIPAN
Sandro Rautenber  - Professor de Ciência da Computação, UNIPAN
http://www.eduquenet.net
eduquenet@eduquenet.net

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