René
Descartes
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Meditações Metafísicas
Resumo, Informações e Biografia
 
René Descartes
São notáveis as contribuições de Descartes para a matemática 
e a filosofia, sendo considerado um dos criadores da 
geometria analítica.
Dentre suas obras podemos destacar: Regras para a Direcção do Espírito (incompletas. Escritas por volta de 1628 e publicadas em 1701), Discurso do Método (1637), Meditações Metafísicas (1640), Os Princípios da Filosofia (1644)


Descartes, como soldado que foi durante algum tempo, viajou muito e ficou impressionado
com a variedade de personalidades e argumentos das pessoas cultas e
inteligentes de um mundo que, após as “grandes navegações”, não se
resumia mais a Paris ou Roma.
Foi o que o motivou para o trabalho de elaborar um novo sistema filosófico; um novo modo de garantir, para a filosofia, a posse de um enunciado primeiro e indubitável, uma "verdade primeira".
De posse dela seria fácil, então, por raciocínio dedutivo – verificável por todos – obter todas as outras verdades e, então, ou corrigir as ciências, no que
estivessem enganadas, ou justificá-las, no que estivessem certas.
A filosofia deveria ser, para Descartes, a base de sustentação de toda a cultura - uma
metanarrativa de garantia de todas as outras narrativas, em especial as que se propunham
a lidar com a verdade, como o caso das ciências.

A tarefa a que Descartes se propôs – em favor da filosofia e da Igreja Católica (mesmo
esta não aceitando tal favor do filósofo) – era a de conciliar o caráter objetivo da verdade
com o caráter subjetivo do que poderia ser apontado como verdadeiro.
A verdade é, como sabemos, objetiva, pois em filosofia só se diz “verdadeiro” e “falso”
para enunciados, expressos em sentenças. O “critério de verdade”,
este sim, é que é o problema.

Este é que estava adquirindo um laço com a “subjetividade de cada um”,
considerando a diversidade das ciências, culturas e, em especial, opiniões individuais.
A equação e a correlata solução do problema eram a seguinte: ao levar em conta as
diferenças individuais, deveríamos afirmar uma ligação entre a verdade e a subjetividade
e, ao mesmo tempo, ao levar em conta a universalidade e a necessidade que caberiam
à noção de verdade, o que a colocaria no âmbito objetivo, deveríamos considerar
a subjetividade uma instância universal.
A subjetividade acolheria, obviamente, a razão, e esta, para Descartes, era o “bom senso”,
aquilo que ele dizia que era o que havia “de mais bem distribuído entre os homens”.

Descartes acreditava na racionalidade do Cosmos, mas sem dúvida acreditava também
que tal racionalidade estava incrustada em cada um de nós, que era uma capacidade humana.
Assim, ainda que houvesse diferenças individuais importantes, cada homem compartilharia
de um naco de racionalidade o suficiente para chegar à verdade, que continuaria sendo
única, necessária e universal – o alvo a ser atingido pela filosofia (em segundo plano, pela
ciência) E como seria a investigação pela verdade – pela primeira verdade?
A verdade seria crivada exatamente pelo que poderia, à primeira vista, lhe ser
estranho: a manifestação do sujeito, ou seja, a certeza – obviamente, um estado subjetivo.

As “Meditações Metafísicas”, de Descartes, tentaram mostrar o que era a certeza intelectual,
e como ela poderia ser mostrada como o “critério de verdade” (cf. Descartes, 1988, pp. 7-74).
Paulo Ghiraldelli Jr.
Site pessoal: www.ghiraldelli.pro.br
Site profissional: Centro de Estudos em Filosofia Americana:
www.cefa.org.br 


A mais famosa das obras de Descartes é o Discurso do Método(1637).
Além de uma sumária exposição do método, ou das principais regras do método é,
também, uma autobiografia de Descartes. Nesse texto não nos diz como devemos proceder para alcançar a verdade, mas como ele, Descartes, procedeu para alcança-la.

Esse discurso está dividido em seis partes.

A Quarta parte do discurso, é um resumo antecipado das
Meditações Metafísicas(escrito em 1640) onde Descartes pretende provar a existência de Deus e da alma humana, estabelecendo, com essas provas, os fundamentos de sua metafísica.
No primeiro parágrafo desse texto, o filósofo nos diz o seguinte: "Julguei necessário fazer o contrário ( do que fiz em relação a moral)
e rejeitar, como absolutamente falso, tudo o que pudesse ser objeto
da menor dúvida, a fim de verificar se, depois disso, não
me restava, em minha certeza, alguma coisa totalmente indubitável" Observa em seguida, que os sentidos nos enganam e nos fazem perceber coisas, não como
realmente são, mas como nos parecem ser.

Mas, diz então Descartes, "ao pensar que tudo era falso, era necessário que, eu
que pensava, fosse alguma coisa; e observando que essa verdade: Penso, logo existo
era tão firme e tão certa, que todas as mais extravagantes suposições dos céticos
não eram capazes de abalá-la, julguei que poderia recebê-la como o primeiro princípio
da filosofia que eu procurava"

Descartes ficou sabendo, assim, que era "uma substância cuja essência, ou natureza,
consiste em pensar" e que "para ser, não precisa de lugar algum, nem depende de coisa
alguma material". Em conseqüência, o eu, a alma, que permite ao filósofo ser o que é, um
pensador, é inteiramente distinta do corpo, cujo conhecimento é mais fácil que o do corpo,
pois mesmo que deixasse de existir, a alma não deixaria de ser o que é.

Conclui, então, que, assim como o mais perfeito não pode ser conseqüência do menos
perfeito, e, nada poder provir, tal idéia, do ser perfeito, ou da perfeição do ser, só pode ter
sido posta em nós por uma natureza mais perfeita do que a nossa, e que inclui todas as
perfeições, quer dizer, Deus. Em conseqüência, conclui: "...é para mim tão certo que Deus,
que é esse ser perfeito, é ou existe, quão certa poderia ser qualquer
demonstração da geometria."

A regra, de acordo com a qual as coisas concebidas clara e distintamente são todas
verdadeiras, só pode ser garantida pela existência de Deus, ser perfeito, do qual
recebemos tudo o que se acha em nós.
Machado, Cristina G.
http://www.suigeneris.pro.br/filo_socied11.htm


As Meditações Metafísicas


Propriamente ditaEm 1641, aparecem as Meditações Metafísicas e para bem compreender
a metafísica cartesiana é necessário ler as Meditações.

1.° - Todos sabem que Descartes inicia seu itinerário espiritual com a
dúvida. Mas é necessário compreender que essa dúvida tem um outro
alcance que a dúvida metódica do cientista. Descartes duvida voluntária e sistematicamente de tudo, desde que possa encontrar um argumento, por
mais frágil que seja. Por conseguinte, os instrumentos da dúvida nada mais são do que os auxiliares psicológicos, de uma ascese, os instrumentos de um verdadeiro "exército espiritual". Duvidemos dos sentidos, uma vez que
eles freqüentemente nos enganam, pois, diz Descartes, nunca tenho certeza de estar sonhando ou de estar desperto! (Quantas vezes acreditei-me vestido com o "robe de chambre", ocupado em escrever algo junto à lareira; na verdade, "estava despido em meu leito").

Duvidemos também das próprias evidências científicas e das verdades matemáticas!
Mas quê? Não é verdade - quer eu sonhe ou esteja desperto - que 2 + 2 = 4? Mas se um
gênio maligno me enganasse, se Deus fosse mau e me iludisse quanto às minhas evidências matemáticas e físicas? Tanto quanto duvido do Ser, sempre posso duvidar do objeto
(permitam-me retomar os termos do mais lúcido intérprete de Descartes, Ferdinand Alquié).

2. ° - Existe, porém, uma coisa de que não posso duvidar, mesmo que o demônio queira
sempre me enganar. Mesmo que tudo o que penso seja falso, resta a certeza de que
eu penso. Nenhum objeto de pensamento resiste à dúvida, mas o próprio ato de duvidar é indubitável. "Penso, cogito, logo existo, ergo sum". Não é um raciocínio (apesar do logo, do
ergo), mas uma intuição, e mais sólida que a do matemático, pois é uma intuição metafísica, metamatemática. Ela trata não de um objeto, mas de um ser. Eu penso, Ego cogito (e o ego,
sem aborrecer Brunschvicg, é muito mais que um simples acidente gramatical do verbo cogitare).

O cogito de Descartes, portanto, não é, como já se disse, o ato de nascimento do que,
em filosofia, chamamos de idealismo (o sujeito pensante e suas idéias como o fundamento
de todo conhecimento), mas a descoberta do domínio ontológico (estes objetos que são as
evidências matemáticas remetem a este ser que é meu pensamento).

3. ° - Nesse nível, entretanto, nesse momento de seu itinerário espiritual, Descartes é solipsista.
Ele só tem certeza de seu ser, isto é, de seu ser pensante (pois, sempre duvido desse
objeto que é meu corpo; a alma, diz Descartes nesse sentido, "é mais fácil de ser
conhecida que o corpo").

É pelo aprofundamento de sua solidão que Descartes escapará dessa solidão.
Dentre as idéias do meu cogito existe uma inteiramente extraordinária.
É a idéia de perfeição, de infinito. Não posso tê-la tirado de mim mesmo, visto que
sou finito e imperfeito. Eu, tão imperfeito, que tenho a idéia de Perfeição, só posso tê-la
recebido de um Ser perfeito que me ultrapassa e que é o autor do meu ser. Por conseguinte,
eis demonstrada a existência de Deus. E nota-se que se trata de um Deus perfeito,
que, por conseguinte, é todo bondade.
Eis o fantasma do gênio maligno exorcizado. Se Deus é perfeito, ele não pode ter
querido enganar-me e todas as minhas idéias claras e distintas são garantidas pela
veracidade divina.
Uma vez que Deus existe, eu então posso crer na existência do mundo. O caminho
é exatamente o inverso do seguido por São Tomás. Compreenda-se que, para tanto, não
tenho o direito de guiar-me pelos sentidos (cujas mensagens permanecem confusas e que
só têm um valor de sinal para os instintos do ser vivo). Só posso crer no que me é claro e
distinto (por exemplo: na matéria, o que existe verdadeiramente é o que é claramente
pensável, isto é, a extensão e o movimento). Alguns acham que Descartes fazia um circulo
vicioso: a evidência me conduz a Deus e Deus me garante a evidência! Mas não se trata
da mesma evidência. A evidência ontológica que, pelo cogito, me conduz a Deus fundamenta
a evidência dos objetos matemáticos. Por conseguinte, a metafísica tem, para Descartes,
uma evidência mais profunda que a ciência. É ela que fundamenta a ciência (um ateu,
dirá Descartes, não pode ser geômetra!).

4. ° - A Quinta meditação apresenta uma outra maneira de provar a existência de Deus.
Não mais se trata de partir de mim, que tenho a idéia de Deus, mas antes da idéia de
Deus que há em mim. Apreender a idéia de perfeição e afirmar a existência do ser perfeito
é a mesma coisa. Pois uma perfeição não-existente não seria uma perfeição. É o argumento ontológico, o argumento de Santo Anselmo que Descartes (que não leu Santo Anselmo)
reencontra: trata-se, ainda aqui, mais de uma intuição, de uma experiência espiritual (a de
um infinito que me ultrapassa) do que de um raciocínio.
Referência : http://www.mundodosfilosofos.com.br
http://www.mundociencia.com.br/filosofia/descartes.htm


Biografia


Filósofo e matemático, René Descartes nasceu em La Haye, um povoado de Touraine,
na França, em 1596, de família pertencente à pequena nobreza, herdou o título de senhor
de Perron, pequeno domínio do Poitou, daí ser chamado de "fidalgo poitevino".
Aos dez anos entrou para o célebre Colégio de la Flèche, dos jesuítas, onde permaneceu
de 1604 a 1614. Foi excelente aluno, tendo se interessado sobretudo pela matemática, e onde
veio a conhecer o Pe. Mersenne, com quem iria manter duradoura amizade.
Mas as matemáticas são uma exceção, uma vez que ainda não se tentou aplicar seu rigoroso
método a outros domínios. Eis por que o jovem Descartes, decepcionado com a escola, parte
à procura de novas fontes de conhecimento, a saber, longe dos livros e dos regentes de colégio,
a experiência da vida e a reflexão pessoal: "Assim que a idade me permitiu sair da sujeição
a meus preceptores, abandonei inteiramente o estudo das letras; e resolvendo não procurar
outra ciência que aquela que poderia ser encontrada em mim mesmo ou no grande livro
do mundo, empreguei o resto de minha juventude em viajar, em ver cortes e exércitos,
conviver com pessoas de diversos temperamentos e condições".

Após sair do colégio, Descartes viajou por diversos países da Europa, então mergulhada
na Guerra dos Trinta Anos. Finalmente, em 10 de novembro de 1619, Descartes tem a
revelação que nos narra no Discurso (2ª parte), descobrindo assim sua vocação filosófica e
científica e decidindo dedicar-se a "descobrir os fundamentos desta ciência admirável".
Mas é preciso que essas idéias amadureçam. Após alguns meses de elegante lazer com
sua família em Rennes, onde se ocupa com equitação e esgrima (chega mesmo a redigir um
tratado de esgrima, hoje perdido), vamos encontrá-lo na Holanda engajado no exército do
príncipe Maurício de Nassau. Mas é um estranho oficial que recusa qualquer soldo, que
mantém seus equipamentos e suas despesas e que se declara menos um "ator" do que um "espectador": antes ouvinte numa escola de guerra do que verdadeiro militar. Prossegue em
suas viagens pela Europa, estuda com o físico e matemático holandês Isaac Beeckman.
É dessa época (tem cerca de 23 anos) que data sua misteriosa divisa "Larvatus prodeo".
Eu caminho mascarado. Segundo Pierre Frederix, Descartes quer apenas significar
que é um jovem sábio disfarçado de soldado.

Em 1619, ei-lo a serviço do Duque de Baviera. Em virtude do inverno, aquartela-se às
margens do Danúbio. Podemos facilmente imaginá-lo alojado "numa estufa", isto é, num quarto
bem aquecido por um desses fogareiros de porcelana cujo uso começa a se difundir, servido por
um criado e inteiramente entregue à meditação. A 10 de novembro de 1619, sonhos maravilhosos advertem que está destinado a unificar todos os conhecimentos humanos por meio de
uma "ciência admirável" da qual será o inventor.

Em 1626 fixa residência em Paris, onde passa a freqüentar os salões e as reuniões
intelectuais. Em um desses encontros, o cardeal Bérulle o exorta a dedicar-se à filosofia e a
construir um sistema em que exponha e defenda suas idéias. Resolve então retirar-se para
a Holanda, em busca da tranquilidade que julga necessária para desenvolver seu pensamento.
Mas ele aguardará até 1628 para escrever um pequeno livro em latim, as "Regras para a
direção do espírito" (Regulae ad directionem ingenii). A idéia fundamental que aí se encontra
é a de que a unidade do espírito humano (qualquer que seja a diversidade dos objetos da
pesquisa) deve permitir a invenção de um método universal. Em seguida, Descartes prepara
uma obra de física chamada Tratado do Mundo, que deveria ser uma exposição de sua física
dentro da concepção mecanicista da época. Ao tomar conhecimento da condenação de Galileu, entretanto, Descartes recua, desistindo de publicar a obra. Essa cautela considerada excessiva
para alguns, foi sempre um dos traços de seu caráter como pensador, marcando toda a sua obra,
que em parte permanecerá inédita em sua vida (o Discurso do Método foi publicado pela
primeira vez anonimamente). Em 1637 Descartes publicou, em francês, o que era uma inovação
na época, seus tratados científicos: A Dióptrica (La Dioptrique), Os Meteoros (Les Météores) e
A Geometria (La Geometrie), que tem como introdução o Discurso do Método, no qual
pretende apresentar e defender o método aplicado nesses tratados.

O La Dioptrique é um trabalho no sistema ótico e nele trata da lei da refração.
Embora Descartes não cite cientistas precedentes para as idéias que apresenta; os fatos
que apresenta não são novos. Entretanto sua aproximação através da observação e da
experiência era uma contribuição nova muito importante.

Les Météores é um trabalho de meteorologia e é importante por ser o primeiro trabalho
que tenta colocar o estudo do tempo em bases científicas; busca uma explicação científica
sobre o tempo, e inclui uma explicação do arco ires. Entretanto, muitas das colocações científicas
de Descartes estão não somente erradas como também poderiam ser evitadas se ele tivesse
feito algumas experiências simples. Por exemplo, Roger Bacon, o monge franciscano inventor
da pólvora estável, já havia demonstrado o erro da crença de que a água fervida congela mais rapidamente. Entretanto Descartes reivindica ter comprovado, pela experiência que a água que
foi levada ao fogo por algumas horas se congela mais rapidamente do que de outra maneira e
dá a razão: suas partículas que podem ser mais facilmente dobradas são expulsas durante o aquecimento, deixando somente aquelas que são rígidos e facilitarão o congelamento. Após a publicação do Les Météores a obras de Boyle, Hooke e Halley se encarregaram de
contestar e corrigir suas postulações falsas.
O terceiro, La Geometrie, talvez cientifica e historicamente o mais importante, introduz
as famosas "coordenadas cartesianas", - que teriam sido assim batizadas por G. W. Leibniz -, e lança os fundamentos da moderna geometria analítica usando a notação algébrica para
tratar os problemas geométricos.

Em 1641 publicou as Meditações, acompanhadas das objeções formuladas por filósofos
e teólogos aos manuscritos, bem como suas respostas a essas objeções. Seu pensamento
tornou-se a partir de então bastante conhecido, e Descartes adquiriu fama. Imediatamente
surgiram adversários e sua obra foi condenada, embora ele tenha sido defendido por amigos politicamente influentes. Em 1644 publicou seus Princípios da filosofia (Principia Philosophiae),
que deveriam completar e sintetizar a exposição de seu sistema, um livro em grande parte
dedicado à física, especialmente às leis do movimento e à teoria dos vórtices.
O reboliço causado pelo "Princípios" foi tão grande que, em 1645, a universidade de
Utrecht criou um armistício proibindo a publicação de qualquer trabalho a favor
ou contra a doutrina cartesiana.
Em Leyden, em 1647, outro ataque incluindo uma acusação de pelagianismo - a crença
de que a vontade é igualmente livre para escolher fazer o bem ou o mal - produz um decreto semelhante de censura neutra. Na França os jesuítas, algumas exceções entre os padres
mais jovens, deram acolhimento frio ao trabalho do antigo aluno.
Princípios da Filosofia apareceu traduzido do latim para o francês em 1647,
enquanto Descartes estava numa visita curta à França, Ele esperava que um relato mais
formalizado da totalidade do seu pensamento científico poderia receber o apoio dos
círculos católicos especialmente entre os jesuítas. Mas sua esperança foi vã.
Os jesuítas inicialmente rejeitaram o cartesianismo. Seu trabalho foi colocado no índex,
lista católica dos livros proibidos. Apesar de tudo recebeu do rei, por iniciativa do ministro
Mazarino, regente na menoridade de Luís XIII, uma pensão vitalícia em honra de suas
descobertas matemáticas, a qual ele não se empenhou em receber.

O mais abrangente dos trabalhos de Descartes, Principia Philosophiae, foi publicado
em quatro partes: As suas doutrinas filosóficas são formalmente repetidas na primeira parte,
"Os princípios do conhecimento humano". As outras três partes são uma ampla tentativa de
dar uma explicação lógica dos fenômenos naturais em um único sistema de princípios
mecânicos, através de todo o campo da física, da química, e da fisiologia: "Os princípios das
coisas materiais", "Do mundo visível" e "A Terra", como tentativa de, finalmente, por todo
o universo sobre fundamentos matemáticos reduzindo o seu estudo à Mecânica.

As doutrinas do Principia foram recebidas com desconfiança. Mesmo os adeptos de sua
filosofia natural, como o metafísico e teólogo Henry More (ind. Henry), encontraram objeções. Certamente More admirava Descartes. Entretanto, entre 1648 e 1649 trocaram um certo
número de cartas em que More fez várias objeções a suas afirmações. Descartes entretanto,
não fez nenhuma concessão aos pontos de vista de More em suas respostas.
Historicamente, a importância do Princípios de Filosofia está na total rejeição de toda
noção qualitativa ou espiritual nas explanações científicas. A determinação expressa de explicar
todo fenômeno físico em termos mecânicos e relacionar esses termos a idéias geométricas e
o uso de hipóteses para ajudar generalizações, abriu caminho para a abordagem moderna
da teoria científica.

Manteve então correspondência, como era comum na época, com diversos
pensadores europeus eminentes como Gassendi, Hobess, Mersenne, Arnauld,
Huygens, Fermat e Henri More, dentre outros.. Essa vasta correspondência é uma fonte
importante de apresentação e discussão de muitas de suas idéias, destacando-se sobretudo
a correspondência com a princesa Elizabeth da Boêmia, que o motivou a escrever seu tratado
As paixões da alma (1648), contendo em grande parte a sua moral. Sua fama fez com
que a rainha Cristina da Suécia o convidasse para a corte de Estocolmo. No clima rigoroso,
onde, nas palavras de Descartes, "os pensamentos do homem congelam-se durante os
meses de inverno", sua saúde deteriorou. Em Fevereiro de 1650, ele pegou um resfriado
que transformou-se em pneumonia. Dez dias depois, após receber os últimos
sacramentos, faleceu.

Seu ataúde, alguns anos mais tarde, será transportado para a França. Luís XIV havia
proibido os funerais solenes e o elogio público do defunto: desde 1662 a Igreja Católica
Romana, à qual ele parece ter-se submetido sempre e com humildade, havia colocado
todas as suas obras no Index.
Homem de sua época, Descartes foi, ao mesmo tempo, viajante contumaz e homem
retirado, soldado engajado em exércitos na guerra, e homem em busca de tranqüilidade,
aliado de católicos e protestantes, homem da corte e habitante da província, pensador isolado
e correspondente da intelectualidade européia, autor de um manual prático de esgrima e de
uma das mais prfundas obras de metafísica racionalista, homem de ciência e interessado em
magia e nos mistérios dos rosacruzes, a cuja ordem talvez tenha pertencido. É a diversidade
dessas experiência que forma a matéria a partir da qual Descartes desenvolve o seu
pensamento, e é por insistência do próprio Descartes que devemos compreender o
pensamento filosófico como resultado da reflexão sobre a experiência de vida.

Obras:


O mundo: Tratado da luz

Regras para a direção da mente

Regras para a direcção do espírito

Os princípios da filosofia

Discurso do Método

Meditações metafísicas com objeções e respostas

Tratado do homem

Tratado do mundo

As paixões da alma

Du foetus

Explicação da mente humana e da alma racional
Geometria

Regulae ad directionem ingenii

Regles utiles et claires pour la direction de l'esprit en la recherche de la vérité

A Dióptrica

Os Meteoros
http://www.mundodosfilosofos.com.br/descartes.htm
http://www.antroposmoderno.com/biografias/Descartes.html

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