Nicômaco de
Aristóteles
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Algumas Considerações Sobre a Ética a
Nicômaco de Aristóteles.
 
Resumo, Biografia e Considerações Gerais
http://www.trigueiros.com.br/filosofia/aristoteles.htm

ÉTICA E FELICIDADE


A ética Nicomaquéia é a que trata dos conceitos de Aristóteles com maiores detalhes, se a compararmos com a Ética Eudemia do mesmo autor. Por esse motivo vamos nos concentrar em algumas discussões contidas na Ética a Nicômaco.

A análise do texto aludido, nos leva à conclusão de que, em sua ética, Aristóteles
preocupa-se, acima de tudo, com o bem humano. Esse bem é determinado por dois fatores:
1) um fator bastante constante, a natureza humana , que se constitui de uma série de elementos corporais ligados a uma forma dinâmica por ele chamada de alma (psyché, donde se origina o adjetivo psíquico).
2) um segundo fator variável, o conjunto de circunstâncias concretas, chamadas pelos gregos de ocasião.

O homem que consegue organizar as possibilidades de sua própria natureza (sem
rebaixá-las nem sobrestimá-las) e ainda leva em conta as circunstâncias que o rodeiam, utilizando-as como apoio e não como obstáculo à sua ação, alcança o bem que deseja, isto é, consegue levar uma boa vida.

Essa boa vida, que todo ser humano almeja, é o que chamamos de felicidade (eudaimônia),
que se refere a uma certa forma de viver - não se trata de um estado mas sim de uma
atividade do homem; tal atividade deve seguir certas normas coerentes com a natureza
humana - no entanto, como a natureza humana é complexa e muitas vezes apresenta
tendências opostas, é preciso submetê-la a certas regras ou critérios racionais que
a equilibrem - conseguir esse equilíbrio é o que Aristóteles chama de possuir a 
virtude, componente essencial da felicidade.
A virtude impede que tendências opostas entrem em choque trazendo efeitos
destrutivos para o ser humano.

Aristóteles distingue dois tipos de virtude:
1) as virtudes intelectuais ou virtudes da mente.
2) as virtudes morais, que consistem no controle das paixões,
movimentos espontâneos do caráter humano.

A virtude não é, diversamente da felicidade, uma atividade, senão que um hábito, ou
maneira habitual de ser; como tal, não pode ser adquirida da noite para o dia, porque
depende de muito exercício - repetindo certos atos o homem acaba por transformá-los
numa segunda natureza, isto é, numa disposição (e não atividade) para no futuro agir
sempre da mesma forma.

O processo é sempre o mesmo, sejam os atos bons ou maus : no primeiro caso temos a
virtude e, no segundo, o vício.

Quando se adquire uma virtude, age-se de acordo com ela sem esforço e com prazer,
porque se age de acordo com a própria natureza; o vício, ao contrário, acaba por trazer
desprazer uma vez que se coloca contra a natureza.

A atividade daquele que age de acordo com os bons hábitos que adquiriu durante a maior
parte de sua vida é o que chamamos de felicidade.
A felicidade mais perfeita é a que se baseia no exercício da virtude igualmente mais
perfeita, da virtude de maior excelência, a sabedoria, que é a contemplação das verdades fundamentais da ciência e da filosofia. Também a felicidade mais auto-suficiente, porque
não precisa de bens materiais para se efetivar.

Vimos, portanto, que o objeto da ética aristotélica é o estudo da felicidade como supremo
fim ou bem do ser humano. Mas, como a condição fundamental para a realização da
felicidade é a virtude, e esta só pode ser adquirida mediante exercício e esforço, o homem
tem que desenvolver mecanismos de ação que garantam a sua aquisição.
Tais mecanismos são a educação e as leis. A educação deverá desenvolver no homem
os hábitos virtuosos; as leis organizarão e protegerão o exercício da virtude pelos
membros da sociedade.

Podemos concluir, afirmando que a ética tem o seu prolongamento no que se constitui
no ápice da filosofia prática: a política.
Aristóteles, Ética Nicomaqueia, (Santillana, S.A., Madrid, 1997).

ARISTÓTELES E A JUSTIÇA


Na apreciação da doutrina moral de Aristóteles, deve-se dedicar especial atenção aos estudos específicos do filósofo, referentes à Justiça e ao que os gregos chamavam de Amizade, que,
hoje em dia, denominamos sociabilidade, em seu sentido mais amplo.
Os dois temas estão incluídos na ética a Nicômaco

De acordo com Aristóteles, todos estão em perfeito acordo em chamar justiça
à disposição que nos faz capazes de realizar atos justos, que nos faz
efetivamente realizá-los e que nos faz desejar realizá-los.
O mesmo deve ser dito da injustiça, que nos faz cometer e querer atos injustos.
Sirva-nos esta definição como definição geral.

O justo nos faz viver conforme as leis e a equidade; o injusto nos leva à ilegalidade e à desigualdade.

Também, ... designamos com uma única palavra, justo, tudo aquilo que é capaz de
criar ou salvaguardar, em sua totalidade ou em parte, a felicidade da comunidade política.
A lei prescreve, inclusive, a cada um, portar-se como homem valente e forte; manda,
por exemplo, não abandonar o posto em combate; manda não fugir nem abandonar as armas; prescreve a sobriedade; manda, por exemplo, que não se cometa adultério nem se
ultraje a ninguém; prescreve a sociabilidade: manda, por exemplo, não agredir nem falar
mal de ninguém.
O mesmo faz, referindo-se às outras virtudes e vícios; virtudes que manda praticar
e vícios aos quais propõe entregar-se. Tudo isso de uma maneira conveniente, se a lei foi convenientemente elaborada; de forma deficiente, se a lei foi improvisada.
A Justiça, assim entendida, é uma virtude completa, não em si, mas em relação a outra.
Por esta razão, a Justiça parece ser a mais importante das virtudes e mais admirável que
a estrela da tarde e a da manhã. E, por essa mesma razão, empregamos comumente
esse provérbio: na Justiça está contida toda outra virtude.

Aristóteles distingue três tipos de Justiça:


1) Justiça distributiva, que leva em consideração a desigualdade de méritos.
Assim se exprime o filósofo : No que se refere à Justiça parcial e ao direito que dela
deriva, ela tem um primeiro aspecto distributivo, que consiste na distribuição das honras,
riquezas e todas as demais vantagens que possam corresponder a todos os membros
da sociedade.
Se as pessoas não são iguais, não terão igualdade na maneira como são tratadas.
Daqui vêm as disputas e contendas, quando as pessoas, em pé de igualdade, não obtêm
partes iguais, ou quando, em pé de desigualdade, obtêm um tratamento igual.
A coisa fica clara, se se tem em conta o mérito das partes. No que se refere às partilhas,
todo mundo admite que se deve fazer de acordo com os méritos de cada um;
sem dúvida, não se está ordinariamente de acordo sobre a natureza desse mérito: os
democratas o põem na liberdade; os oligarcas, na riqueza ou na estirpe, e os aristocratas,
na virtude.

2) Justiça reparativa, ou de emenda, que, ao contrário, restabelece o direito igual
das pessoas. Como nos ensina Aristóteles, a lei não tem presente a natureza da infração,
sem levar em conta as pessoas que ela põe em pé de igualdade.
Pouco importa que seja este ou aquele que comete a injustiça ou a sofre, que seja este
ou aquele que comete o dano ou o recebe. Por conseguinte, essa injustiça, que descansa
na desigualdade, é a que se esforçar o juiz por corrigir.
De fato, quando uma pessoa recebe pancadas e outro as dá, quando um indivíduo causa
uma morte e outro morre, o dano e o delito não têm entre eles nenhuma relação de igualdade;
o juiz tenta remediar essa desigualdade por meio da pena que inflige, reduzindo, através
dela, a vantagem obtida. Se emprega comumente essas palavras num sentido geral nos
casos dessa natureza, embora a expressão não parece convir a alguns deles; por exemplo,
se diz do proveito do que bate em outro e do prejuízo do que é golpeado.
Mas, quando o juiz avalia o mau trato, o primeiro vem a ser o que perde e o segundo o
que ganha. De maneira que o igual vem a ser o exato meio termo entre o mais e o menos.
... Em consequência, a Justiça corretiva ou reparativa será o termo médio entre a ganância
de um e a perda de outro. Por isso, quando ocorre entre os homens alguma diferença,
eles recorrem ao juiz, que é, por assim dizer, a Justiça encarnada.
Finalmente, a injustiça cometida deve ser voluntária, deve proceder de uma eleição
deliberada e deve ser anterior a toda ofensa; de fato, não se comete injustiça quando
se foi vítima e se devolve mal por mal.

3) Justiça comutativa, que parece dizer respeito à troca de serviços, tendo, portanto,
um caráter econômico.

Muito do que Aristóteles aborda no campo da Justiça deriva das condições sociais
e econômicas da sua época.

No entanto, interessa à teoria geral da Justiça sua afirmação de que a injustiça se
situa nos dois extremos entre os quais está a Justiça.
O extremo, isto é, o injusto exigindo mais vantagens e menos encargos dos que os que
lhe são devidos é, a um tempo, um excesso e um defeito, ou no mesmo sujeito ou em
dois sujeitos diferentes, conforme se considere o autor ou a vítima da injustiça.

A moral de Aristóteles foi incapaz de alçar-se acima dos preconceitos de seu
meio - dedica-se a explicar em que casos o próprio direito natural perde autoridade diante
do direito de família. Uma vez que, diz ele, ninguém pratica injustiça contra si próprio e
o escravo e a criança são partes daqueles de quem dependem (o dono ou o pai), nenhum
dos dois possui direito - se não têm direito, não pode haver injustiça para com eles!

O direito familiar atribui à mulher um estatuto político superior.

Como vemos, o filósofo adapta suas idéias aos costumes vigentes, sem procurar alterá-los.

Aristóteles, em sua ética, refere-se à amizade , afirmando que o Homem, mesmo aquele
que alcançou os mais altos níveis de intelectualidade, continua sendo o vivente sociável
e nascido para a vida em comum. Seria, assim, estranho pretender que, mesmo aqueles
que exercem a atividade mais elevada e agradável - a contemplação -, pudessem viver
solitários e encerrados em si mesmos. Preciso que haja colaboração, homens entregues
ao mesmo esforço intelectual, sustentando-se, mutuamente, em seu esforço.
Tal amizade ou sociabilidade, orientada para o que é realmente mais útil, propícia 
abr>especulação desinteressada.

Aristóteles expressa uma decidida preferência pela lei não escrita sobre a lei escrita,
talvez porque deseje evitar o erro (do qual a democracia ateniense era frequentemente
acusada) de transformar a lei em instrumento puramente pragmático da vontade do povo;
para Aristóteles como para Platão ela deve ser mais do que isso: deve incorporar
princípios imutáveis de conduta correta que têm de estar idealmente no controle
de toda atividade legislativa.

Procurar a Justiça é procurar uma autoridade neutra; e a lei é uma autoridade neutra.
Mas as leis que repousam no costume não escrito são ainda mais soberanas e dizem
respeito a assuntos de importância ainda mais soberana do que as leis escritas; e isso
sugere que, mesmo que o governo de um homem seja mais seguro do que o império
da lei escrita, pode não ser mais seguro do que o império da lei não escrita.
Referências Bibliográficas:
Aristóteles, Obras, Aguillar S/A, de Ediciones, Madrid, 1.967.
Morrall, J. B., Aristóteles, Ed.. Universidade de Brasília, 1.985.
Robin, Leon, A Moral Antiga, Ed. Despertar, Porto, 1.970.


ASPECTOS DA METAFÍSICA

ON - ENTE (particípio passado do verbo enai)
ENAI = SER - o que é
ONSIA - SUBSTÂNCIA (p. passado do verbo enai)

Toda realidade é transformável; cada realidade busca seu ato; enquanto a coisa ou realidade
tende a aperfeiçoar-se, ela é potência; toda realidade tende à perfeição que se encontra
onde não tem potência, ou seja, tende ao ato puro.

O ato puro pode ser comparado a um imã atraindo a limalha de ferro, isto é, toda realidade,
todas as coisas, são atraídas para o ato puro, para ele convergindo em busca da perfeição.

O ato puro é , para Aristóteles, Deus, causa final, ou seja, a razão de ser de todas as coisas.

Cada uma dessas realidades é um ENTE, (em grego, on, em latim, ens); alguns desses
entes têm ONSIA, isto é, consistência própria: é a substância, oposta ao acidente.
O acidente não tem consistência própria, uma vez que só pode existir na substância.

Nós podemos conhecer as coisas através dos nossos sentidos, formando conceitos; os
conceitos são idéias que adquirimos, não apenas pelas simples justaposição das qualidades percebidas pelos sentidos. Seu conteúdo é a íntima razão de ser delas, isto é, a sua
quididade, a essência de cada objeto, que é representada pelos
conceitos; - quididade - quid est res, o que a coisa é, o tipo de ser a que pertence.
Ex: o conceito de circunferência representa uma determinada essência, quididade, tipo
de ser, que aqui é uma figura geométrica determinada, que, permanecendo sempre uma
e a mesma quanto à sua forma, (= quanto à sua significação e conteúdo: figura plana
fechada cujos pontos são equidistantes de um ponto chamado centro), contudo, se
pode achar numericamente multiplicada em várias circunferências, de modo que todas
elas e de cada uma pode-se dizer que é uma circunferência. Assim os conceitos de homem,
casa, ouro, árvore, etc... : todos os que representamos com nomes comuns.

A essência, contida na idéia, é algo de imaterial. Mais outro exemplo: diante do
triângulo ABC, que pode ser traído no quadro negro com giz, os sentidos percebem
esta figura individual, material, concreta, existente neste quadro negro.
A inteligência, ao contrário, vão nesse triângulo aquilo que o faz ser triângulo, a
sua essência (= figura fechada com três ângulos), o tipo abstrato, imutável, possível,
realizável e concretizável em infinitos triângulos, e todos possuirão essa mesma essência,
na qual todas as propriedades do triângulo terão razão de ser.
A realização do tipo nesse triângulo poderia não acontecer: basta apagar a figura traída
no quadro negro. O tipo desse triângulo, no entanto, já era possível antes que se
desenhasse o triângulo ABC no quadro negro e continua eterno e imutável, mesmo
depois que ABC foi apagado.

Nossos sentidos atingem, no objeto, apenas a parte sensível que é mutável e
concreta; a inteligência abstrai o que é imutável e necessário.

O SER é o objeto da metafísica, cognoscível através de nossa inteligência, que é destinada
a conhecer o que é, ou seja, o SER imutável e eterno, o SER enquanto SER.

ARISTÓTELES: DO SER


Segundo Aristóteles, o ser é uno intrinsecamente, estavelmente e necessariamente.
O que garante que o ser tenha esse sentido é o princípio de contradição: é impossível que
uma coisa seja e ao mesmo tempo não seja.
O princípio de contradição é, portanto, o fundamento da metafísica: o ser, enquanto
ser, é necessariamente.

Esse ser, estudado por Aristóteles, é a substância, o quid da coisa, princípio e causa de todo ser.
A substância (ousia) é, para ele, apenas o ser real individual, o singular: um homem,
uma pedra, uma planta.

O ser é identificado por Aristóteles com a substância: esta unidade substancial que
é o indivíduo, possui matéria e forma: a matéria é o princípio da individuação (isto é, o
conjunto de acidentes que faz com que este ser seja este ser e não outro); a forma é a
essência comum aos indivíduos da mesma espécie, pela qual todos eles são o que são
(todos os homens são animais racionais).
Assim, para Aristóteles, todo indivíduo ou ser vivente é a síntese desses dois princípios:
a matéria e a forma. A matéria é o substrato indeterminado onde vai ocorrer a mudanças
(por ex., o bloco de mármore de uma estátua ou a matéria orgânica no ser vivente);
a forma é o tipo que a matéria tende a ser em ato (a idéia que o escultor realiza na estátua,
a forma da espécie no ser vivente). Um ser não será qualquer outro, mas aquele que tem
em si imanente em potência: por ex. uma semente de feijão tem em si, potencialmente,
o pé de feijão e jamais será outro vegetal. Todo ser tende a por em ato a própria forma,
este é o fim a que tende todo ser: assim, a forma é a causa final.
O que dá impulso ao movimento é a causa eficiente ou motriz (os movimentos do
escultor para gravar sua idéia no mármore).

Aristóteles distingue, assim, as quatro causas do devir (vir a ser): 1) Causa Material,
elemento primitivo e constitutivo de todas as coisas; Causa Final, o fim pelo qual as coisas
são feitas; Causa Eficiente, a causa que produz as coisas, e a Causa Formal, que é a forma
ou essência de cada coisa. A causa eficiente e a final são apenas aspectos da causa formal:
a eficiente é a motriz dos vários graus do desenvolvimento e a causa final é a perfeição à
que o ser tende. Assim, a Matéria e a Forma são os dois princípios do devir, sem que
estejam submetidas a ele - quem vem a ser é o indivíduo. A matéria é o substrato imutável
e as formas, cada uma delas, eterna e indivisível, estão nos seres desde a eternidade.

Matéria e forma não podem ser separadas: não existe nenhuma matéria que não tenha
forma, nem forma sem matéria. Apenas Deus é forma sem matéria.

Para Aristóteles, a matéria é a potência e a forma, o ato.
A matéria é a potência de se tornar uma forma ou ato. A passagem da potência ao ato é
o devir, que se situa entre dois limites extremos: a matéria pura e o Ato puro, que
é Deus, pura forma. O fim último do devir é Deus.

A passagem da potência ao ato implica em movimento - todo movimento pressupõe
um motor - o movimento da natureza em geral pressupõe um Motor Imóvel, ou se faria
necessária uma causa para o seu movimento, outra causa para este novo movimento e
assim, sucessivamente, até o infinito.
O Motor Imóvel é Deus, Causa primeira do movimento universal: Ele é Ato Puro,
Perfeição absoluta. Ele contém em si todas as puras formas, porque elas são o objeto
do seu pensamento.
A ordem do universo é a ordem do seu pensamento. O mundo existe desde toda
eternidade e, portanto, não foi criado. Podemos concluir que, em Aristóteles, continua
a existir o dualismo (existente em todo pensamento pagão), da Matéria (imperfeição)
e da pura Forma (perfeição).

Aristóteles não trata do conceito de criação.

Platão é o filósofo do Ser, Aristóteles é o filósofo do real (da natureza) e o filósofo da ciência.
Platão apontou o ser como primeiro princípio, Aristóteles, a substância, que é o real.
Sciacca, Michele Federico - Editora Mestre Jou, São Paulo, 1967.

Biografia

Aristóteles (384 - 322 a.C.)

Filósofo grego, um dos mais importantes pensadores de todos os tempos.
Nasceu em Estagira, filho de Nicômaco, médico de Amintas II, rei da Macedônia e
pai de Filipe. Aos 17 anos, foi para Atenas, tornando-se discípulo de Platão na Academia. Continuaria por 20 anos ao lado do mestre, até a data de sua morte. Deixando Atenas, foi
para Assos, na Ásia Menor, onde Hérmias, ex-membro da Academia, governava.
Lá desposou Pítias, sobrinha de Hérmias. Com a morte deste, mudou-se para Mitilene,
onde permaneceu por dois anos. Falecendo sua esposa, desposou posteriormente Herpilis,
que lhe deu um filho, Nicômaco.
Em 343, mudou-se para a corte de Pela, porque Filipe da Macedônia lhe confiou a tarefa
de educar seu filho, Alexandre. Em 336, com a morte de Filipe e ascensão de Alexandre
ao trono, este rei iniciou as expedições que lhe permitiram construir um vasto império.
Nesta data, Aristóteles regressou a Atenas, onde fundou sua própria escola, o Liceu, que
se transformou em importante centro de estudos, não apenas filosóficos mas, igualmente,
de ciências naturais, dotado de imponente acervo de livros, instrumentos e espécimes.
Após a morte de Alexandre, em 323, a facção nacionalista extremada de Atenas dirigiu
contra Aristóteles o ódio devotado ao líder macedônio, acusando o filósofo de impiedade. 
Aristóteles refugiou-se em Cálcis, onde veio a falecer no ano seguinte.
A obra e o Pensamento aristotélica


Era dividida em duas espécies de escritos: uma destinada ao grande público
(obras exotéricas), redigida em forma dialética, e outra de caráter demonstrativo e didático, composta para os alunos da escola (obras acroamáticas).
Da primeira espécie, restam-nos apenas dois diálogos: Eudemo e Protréptico.
As obras dedicadas ao ensino do Liceu foram conservadas pela escola, e um grande
número delas chegou até nossos dias.

Elas se encontram sistematicamente divididas em seis grupos. Escritos lógicos, que
receberam a denominação genérica de Organon. Este compreende: Categorias,
Sobre a Interpretação, Analíticos (Primeiros e Segundos), Tópicos e Refutações Sofísticas;
estudos da natureza, que incluem dois grupos: o primeiro de estudos físicos, dos quais
fazem parte a Física, Sobre o Céu, Sobre a Geração e a Corrupção e Meteorológicos,
e o segundo de estudos biológicos, referentes ao mundo vivo, onde figuram: Da Alma e
História dos Animais, composta de estudos acerca de suas partes, geração, movimento;
filosofia primeira, que inclui os catorze livros agrupados posteriormente sob a denominação Metafísica ; os escritos éticos e políticos, de que fazem parte a Ética a Nicômaco
Ética a Eudemo e Política; e, finalmente, as obras Retórica e Poética (desta última
nos restam somente fragmentos), que merecem, cada uma, um lugar próprio.

A obra aristotélica possui enorme abrangência e importância. Desse modo, torna-se
extremamente difícil resumi-la em alguns tópicos fundamentais.
Limitar-nos-emos a apenas indicar alguns temas presentes no pensamento deste autor,
apontando brevemente alguns encaminhamentos seguidos em sua argumentação.

A lógica é desenvolvida por Aristóteles como um instrumento (em grego organon) seguro
de constituição da ciência, uma vez que é capaz de conferir certezas ao conhecimento que
dela se vale.
Seu papel na filosofia de Aristóteles pode ser compreendido em dois sentidos: em sentido
estrito, pode ser encarado como um meio de acesso, ou uma técnica, tendo suas investigações
neste campo determinado fundamentalmente os avanços deste estudo, posteriormente denominado lógica formal (ver Lógica).; em sentido amplo, a lógica aparece para este pensador como
um meio seguro de acesso aos entes, uma vez que, em sua concepção, existe estreita correspondência entre o pensamento lógico e a estrutura ontológica da realidade.

É Aristóteles o primeiro a formular o princípio de não contradição, que possui este caráter
a um só tempo lógico e metafísico: é impossível a uma coisa ser e não ser, ao mesmo tempo
e sob a mesma relação. Sendo este o princípio fundador de todas as demonstrações, é
forçoso que ele seja, em si, indemonstrável, sendo a partir dele que se pode refutar
todos aqueles que o negam.
No âmbito da lógica tomada em seu sentido estrito, é Aristóteles o criador do
método denominado dedução, que tem no silogismo sua mais perfeita forma.
Este pretende fornecer certeza e necessidade às conclusões acerca do particular,
advindas de premissas gerais verdadeiras. É também Aristóteles o primeiro filósofo a
subordinar claramente a verdade à linguagem, afirmando que a verdade não reside
nas coisas mesmas, mas somente na relação que se estabelece entre as coisas e as
proposições acerca delas.

Existe, contudo, segundo a concepção aristotélica, um modo de conhecimento que opera
em sentido oposto ao dedutivo, e que parte da multiplicidade oferecida aos sentidos
para extrair dela conceitos de ordem geral. Tal procedimento é a indução, que permite ao conhecimento atingir o universal próprio ao conceito, presente, enquanto estrutura,
em todos os entes.
Se as ciências devem ter por meta alcançar as estruturas gerais dos entes, elas devem
estar todas subordinadas a uma ciência primeira, que abarca o modo mais fundamental
de todo ente manifestar-se, isto é, o simples fato de ser. Esta ciência será chamada metafísica, 
sendo determinada como ciência do ser enquanto ser.

A fim de poder compreender a unidade do ser conjuntamente à pluralidade pela qual
se manifesta, Aristóteles afirma uma concepção analógica do ser, que exprime: o ser
se diz em vários sentidos. As diversas acepções nas quais o ser pode ser tomado podem
ser reunidas sob a forma de dez categorias, quais sejam: substância, acidente,
quantidade, qualidade, relação, espaço, tempo, posição, estado e paixão.
A ciência do ser enquanto ser também é compreendida como ciência das causas, por
investigar o princípio de todos os entes.
Se o princípio é, por excelência, imóvel, não gerado e separado da matéria, causa não
causada de tudo que é, é preciso forçosamente identificá-lo com a divindade.
O estudo das causa deve ser, assim, estudo acerca de Deus. Desta maneira, para Aristóteles, a Metafísica constitui-se, necessariamente, como Teologia.

Aristóteles se depara com a tarefa de garantir a imobilidade do ser, afirmando, contudo, o movimento presente na natureza. Para isto, ele desenvolve uma teoria do movimento
desde a dupla caracterização ato-potência. Nesta perspectiva, o movimento é a atualização
disso que já pertencia a um ente enquanto virtualidade. Se o ser é não apenas ato, mas
também potência, as coisas podem sofrer modificações sem deixar de ser, pois tornar-se
outro será, nesta concepção, entendido como a passagem de um modo de ser a outro, ambos sempre potencialmente presentes.
Desde esta interpretação, forma-se a compreensão da divindade como Motor Imóvel,
ato puro de contemplação de si mesmo, que não se relaciona com o mundo, mas apenas
o atrai, como o amado atrai o amante.
Deus, para este pensamento, nem sequer conhece o mundo, uma vez que o conhecer é
movimento, é atualização de uma potência e a divindade, sendo perfeita, é ato puro, realização plena na qual não cabe nenhuma possibilidade.
Possuem ainda importância decisiva as investigações de Aristóteles no campo da Ética.
Este postula o bem, ou antes o supremo bem como a finalidade à qual tende toda ação.
Todos estão de acordo que este bem último é a felicidade, apesar de diferirem as opiniões
sobre que esta consiste. É necessário defini-la em função daquilo que é a ação mais própria do homem, de modo que a felicidade seja sua plena realização.
 

Ora, se os homens se distinguem de todos os seres vivos pelo pensamento, o cultivo da razão
será a suprema felicidade humana, e a vida de acordo com ela constituirá a vida virtuosa por excelência.
Se o virtude, o bem e a felicidade se correspondem, o bem deve ser encarado como um
fim em si mesmo, pois nele já reside a felicidade.
A fim de determinar mais precisamente em que consiste a virtude, Aristóteles é levado
a afirmar que ela constitui um meio, ou antes, a justa medida encontrada em qualquer ação.
Este meio não é uma medida matemática, comum a todos os entes; antes, ele se estrutura
em cada ação, de modo a configurar o ato pleno, ao qual nada pode ser tirado ou somado.

A coragem, é uma virtude pois se dá como este meio, na medida em que chamamos corajosa
a ação precisa e necessária a uma determinada situação: se fosse algo menos do que
foi, seria covardia; algo mais, temeridade.

O pensamento de Aristóteles exerceu influência marcante na história da filosofia, não
apenas no mundo antigo e medieval, mas alcançando o pensamento moderno e
contemporâneo, contribuindo para sua determinação.
As questões levantadas por este filósofo continuam sendo debatidas como questões
fundamentais e servem de paradigma a vários ramos da filosofia, como a ética, lógica,
metafísica, teologia ou estética.

Fonte: Enciclopédia Digital
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