O Populismo aposta na emoção e na personalização através da
autopromoção, sempre
visando a conquista da simpatia popular
em prol de seu projeto pessoal. |
I. INTRODUÇÃO
Em 1945, termina a guerra. Os países do Eixo que reuniam as ditaduras
fascistas mais
proeminentes no mundo, são derrotados pelo grupo Aliados, que, em
princípio congregavam os
países de ideologia "democrática".
Há, então, nesse momento, uma certa indisposição em relação aos países
que ainda possuíam governos ditatoriais.
No Brasil, que lutou ao lado dos Aliados e, portanto, um dos vencedores
da Segunda Guerra,
mantém-se um governo de característica
ditatorial: O Estado Novo de Vargas.
De certa forma, uma incoerência, já que Vargas possuía uma tendência
ideológica um tanto
quanto fascista.
Diante desse quadro, um movimento contrário á permanência de Getúlio no
poder, se acelera. Teremos então o confronto entre duas tendências: Um
movimento político englobando os militares
e a classe política que tenta defenestrar Vargas e outro, reunindo o PTB
e os comunistas, mais
social do que político, que tentavam mantê-lo
no cargo, o Queremismo.
Em outubro de 1945, os militares, apoiados por políticos
convenientemente oposicionistas, sem o apoio da população, põe fim á
ditadura varguista. Era o fim do Estado Novo e o início de um outro
perfil político-administrativo. Uma democracia temperada com demagogia
que podemos denominar de Populismo e que duraria, aproximadamente, 20
anos.
Poderíamos incluir nessa fase, Populismo, o governo Vargas de 30 a 45,
já que o mesmo era um mestre na arte da manipulação das massas, podendo
ser considerado o modelo excepcional e a
fonte de inspiração para os populistas posteriores. Mas, para efeito
didático, vamos considerar o período de 1945 a 1964, os limites desse
característico momento político.
II. O Que é Populismo
O populismo é uma maneira de exercitar o poder, onde um Governante
carismático e autoritário procura o
contato direto com as classes sociais de menor poder aquisitivo,
normalmente, mas não necessariamente,
sem a intermediação de partidos políticos.
O objetivo é conquistar a confiança e a simpatia das massas e
indiretamente canalizar para
seus
interesses, votos, prestigio, poder....exercendo uma dominação que não é
percebida
por quem é
dominado.
Para isso utiliza-se de uma linguagem simples e popular e de práticas
demagógicas, concedendo
irresponsavelmente benefícios sociais e desprezando os problemas
causados pelo excesso de
gastos
públicos. De repente, as massas, sem perceber, passa a depender da
vontade
despótica desse governante.
Exemplo disso foi Vargas que era conhecido como "Pai dos Pobres"
Pode se dizer que existe um aspecto positivo. Na América Latina, o
populismo foi um poderoso mecanismo
de integração das massas populares à vida política, favorecendo o
desenvolvimento econômico e social,
mas, ao mesmo tempo tomando medidas autoritárias, não respeitando os
partidos políticos e as
instituições democráticas.
É uma política adaptável, principalmente, em países com diferenças
sociais aguçadas e presença
de
muita pobreza e miséria. O povo passa a ver nesse governante a sua
salvação.
III. Os Governos Populistas
Com a queda de Vargas, o governo passa a ser exercido provisoriamente,
pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, José Linhares.
Em um primeiro momento, pensava-se como seria a transição para o novo
governo.
A UDN defendia a convocação imediata da eleição para a presidência da
República, deixando a promulgação de uma nova Constituição para um
segundo momento. Mas, logo, optaram por
realizar eleições para a Assembléia Constituinte, e ao mesmo tempo a
eleição para presidente.
Em Dezembro de 45, O Marechal Eurico Gaspar Dutra venceu as eleições,
superando Eduardo Gomes da UDN e Iedo Fiúza do Partido Comunista
Brasileiro.
Ainda estava em vigência a constituição de 1937. Portanto, foi eleito de
acordo com essa carta magna, já que a nova constituição, somente ficaria
pronta e entraria em vigor em setembro de 1946.
Essa nova Constituição (quinta) era a mais democrática que o país já
tivera até então.
Não era muito liberal, pois mantinha muitos aspectos conservadores
encontrados em constituições anteriores, incluindo aí a ditatorial de
1937.Uma Constituição bastante avançada para a época.
Em alguns de seus dispositivos, ampliava o direito de voto a todas as
pessoas alfabetizadas
maiores de 18 anos, mas negando esse direito aos analfabetos, ou seja,
mais da metade da população; criava uma série de obstáculos a reforma
agrária, dificultando a desapropriação de terras; proibia partidos ou
associações cujo programa contrariasse o regime democrático;
O mandato presidencial foi fixado em cinco anos, e foi mantida a
proibição da reeleição para
cargos executivos; ampliou a obrigatoriedade do voto feminino, antes
restrita às mulheres que exercessem cargo público remunerado.
GOVERNO EURICO GASPAR DUTRA - 1945/1950
A política de Dutra foi marcada pela predominância de atitudes
conservadoras. Nesse momento, o cenário político internacional, se
caracteriza pela
bipolarização, envolvendo as duas ideologias
predominantes, capitalismo e socialismo. De um lado EUA e do outro, a
URSS que se posicionam como duas correntes antagônicas, disputando
influencias em todos os quadrantes da terra.
Dutra, rompe relações com a União Soviética e passa a seguir um
orientação
política linhada aos EUA. Para mostrar sua fidelidade proíbe o funcionamento do
partido Comunista, caçando os parlamentares simpáticos
a essa ideologia.
Em relação á política econômica pouco de positivo. A divida externa
avança, principalmente devido aos gastos excessivos com importações.
Esta tinha um objetivo que era a de conter a alta de
preços, mas acaba por provocar dificuldades á industria nacional que
explode em recessão.
Os salários foram congelados; a inflação disparou provocando queda do
poder aquisitivo e serias
dificuldades á classe trabalhadora. Como resultado, vários movimentos
populares, greves,
passeatas e movimentos de insatisfação são deflagrados. O governo, numa
tentativa de manter a ordem pública intervém em diversos sindicatos e
associações de trabalhadores.
No final de seu governo, Dutra, toma medidas para solucionar alguns
desses problemas.
Contem as importações e o país retoma seu desenvolvimento econômico
atingindo um pico
de 6% de crescimento.
Uma das metas de Dutra foi a adoção de um plano de governo denominado
Plano Salte.
Apresentado ao Congresso em maio de 1948, viria a ser aprovado
exatamente dois anos depois,
mas teria sua aplicação abandonada. Seria uma tentativa de coordenar os
gastos públicos, com a elaboração de um planejamento em escala nacional
no qual previa desenvolver determinados
setores como saúde, alimentação, transporte e energia (Daí o nome
SALTE).
GOVERNO GETÚLIO VARGAS - 1950/1954
Ao terminar o mandato de Dutra em 1950, Getulio Vargas se candidata pelo
PTB e vence as

eleições com quase 50% dos votos. Retoma a sua posição nacionalista
populista,
controlando a economia, procurando ampliar a produção
interna, principalmente a
industrial e limitando os investimentos
estrangeiros no País bem como impedindo a remessa de lucros de empresas
estrangeiras aqui instaladas, para seus
países de origem.
Para dinamizar o desenvolvimento industrial cria o Banco Nacional de
Desenvolvimento
Econômico (BNDE).
Imediatamente lança a campanha "O petróleo é Nosso" com apoio maciço da
população e o resultado é a criação da Petrobrás em 1953, empresa
estatal que detinha o monopólio de
exploração e refino do petróleo no Brasil.
No Plano trabalhista, movimentos operários reivindicam aumento do
salário mínimo. Diante das pressões, Vargas concede, em 1954, um
reajuste de 100% e conquista o apoio da classe trabalhadora, mas desagradando
o setor empresarial.
Logo, o governo começa a ser criticado por empresários, multinacionais
norte-americanas, oposicionistas da UDN, oficiais das Forças Armadas e
outros setores insatisfeitos com sua
política estatizante.
Destaca-se nesse período, a oposição violenta do jornalista Carlos
Lacerda que o acusava de planejar um golpe em conjunto com líderes
sindicais facilitando a infiltração comunista no país.
Em 1954, Vargas é acusado de ser responsável por um atentado contra
Carlos Lacerda.
O jornalista sai ileso mas, um major da aeronáutica, Rubens Vaz, morre.
Descobre-se, mais
tarde, que elementos ligados á Vargas estavam envolvidos no atentado. O
acusado é Gregório Fortunato,segurança de Vargas, que teria agido
sob
ordens de Vargas. Nunca foi esclarecido
quem foi o mentor do atentado.
A Oposição, UDN, aeronáutica e exercito não perde tempo. Aproveita a
situação para exigir sua renúncia.Um ultimato dos generais, foi entregue
a Vargas.
Diante da crise, o presidente suicida-se deixando uma carta-testamento.
A repercussão do fato
gerou uma série de movimentos contra a oposição que responsabilizava a
UDN e o governo americano pelo fim dramático de Getúlio. Grandes
manifestações populares de apoio ao ex-presidente estouraram em várias
cidades do país.
Com a morte de Vargas, assumiu o governo o vice-presidente Café Filho,
que ficou encarregado de
completar o mandato até o fim de 1955. Deposto, Carlos Luz (presidente
da Câmara - 4 dias) e
Nereu Ramos (presidente do Senado - dois meses e 21 dias ) Completaram o
mandato
Em outubro de 55, realizaram-se eleições para a presidência, vencendo o
candidato da coligação PSD-PTB, Juscelino Kubitschek de Oliveira (36%
dos votos). Uma das eleições mais disputadas.
O vice-presidente eleito foi João Goulart.
O GOVERNO JUSCELINO KUBITSCHECK - 1955/1960
O Mineiro, Juscelino Kubitschek foi eleito presidente nas eleições de
1955, tendo João Goulart (Jango) como
vice-presidente. Assumiu de janeiro de 1956, ficando no poder até
janeiro de 1961, quando passou o cargo para Jânio Quadros.
Juscelino Kubitschek empolgou o país com uma maneira particular de
governar angariando
simpatia, confiança e respeito de seus seguidores. Os anos de seu
governo são lembrados como
"Os Anos Dourados".
Ao iniciar seu governo já possuía um planejamento administrativo chamado
por ele de Plano de Metas no qual previa ampliar o desenvolvimento do
país de forma acelerada, ou seja, promover
um
crescimento de "Cinqüenta anos em Cinco" no seu cinco anos de
mandato. Segundo ele, seria possível investindo
em áreas prioritárias
para o desenvolvimento econômico principalmente,
infra-estrutura (rodovias, hidrelétricas, aeroportos) e indústria.
O plano tinha 31 metas distribuídas em seis grandes
grupos: energia,
transportes, alimentação,
indústria de base, educação e — a meta principal — Brasília. Visava
estimular a diversificação e
o crescimento da economia, baseado na expansão industrial e na
integração dos povos de todas
as regiões com a capital no centro do território brasileiro.
No Plano industrial, o êxito foi acima das perspecticas.
Diferentemente de Vargas, Abriu a economia para o capital internacional
e atraiu o investimento
de grandes empresas, principalmente multinacionais. Isentou de impostos
de importação as
máquinas e equipamentos industriais, assim como os capitais externos;
Para ampliar o mercado interno, o plano ofereceu uma generosa política
de crédito.
Grandes montadoras de automóveis vieram se instalar no Brasil como, por
exemplo, Ford, Volkswagen, Willys e GM (General Motors). Estas
indústrias instalaram suas filiais na região sudeste do Brasil,
principalmente, nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e ABC (Santo
André, São Caetano e São Bernardo).
Financiou a implantação da indústria automobilística e da indústria
naval, a expansão da indústria
pesada, a construção de usinas siderúrgicas e de grande usinas
hidrelétricas, como Furnas e Três
Marias, abriu as rodovias transregionais e aumentou a produção de
petróleo da Petrobrás.
Esse crescimento gerou no sudeste, grandes oportunidades de emprego
atraindo uma leva de trabalhadores de todo Brasil. Nortista e
nordestinos migravam em massa para esse novo pólo industrial provocando
um um êxodo rural e um forte crescimento urbano.
Com intuito de povoar e desenvolver a região central do Brasil, JK
promoveu a sua grande obra:
a construção da nova capital, Brasília, interiorizando o
desenvolvimento. A construção da nova capital, também proporcionou a
transferência de população de outras regiões, não somente do nordeste
como de Minas Gerais e região sul do Brasil. Por fim, em abril de 1960,
conseguiu
finalizar e inaugurar o seu sonho.
A política econômica desenvolvimentista de Juscelino apresentou pontos
positivos e negativos
para o nosso país. A entrada de multinacionais gerou empregos, porém,
deixou nosso país mais dependente do capital externo. O investimento na
industrialização deixou de lado a zona rural, prejudicando o trabalhador
do campo e a produção agrícola. O país ganhou uma nova capital,
porém a dívida externa, contraída para esta obra, aumentou
significativamente. A migração e o êxodo rural descontrolados fez
aumentar a pobreza, a miséria e a violência nas grandes capitais
do sudeste do país.
houve forte crescimento econômico mas também um significativo aumento da
dívida pública,
interna e externa.
a expansão do crédito e as constantes emissões de moeda - para manter os
investimentos
estatais e pagar os empréstimos externos - provocaram crescimento da
inflação e queda no valor
dos salários.
A dívida externa aumentou e Foi ainda agravada pelas As altas remessas
de lucros das
empresas estrangeiras.
Mas, o chamado "anos dourados" inspiraram o espírito otimista e
inovador,consagrando assim o governo de Juscelino Kubitschek.
Faleceu em 1976, em um desastre automobilístico, em circunstâncias até
hoje pouco claras, na Rodovia Presidente Dutra. Mais de 300 mil pessoas
assistiram a seu funeral em Brasília. Seus restos mortais estão no
Memorial JK, construído em 1981 na Capital Federal por ele fundada.

Juscelino Kubitschek é, ainda hoje, um dos políticos mais admirados do
cenário nacional,
considerado um dos melhores presidentes que o Brasil já teve, por sua
habilidade política, por suas realizações e pelo seu respeito às instituições democráticas.
O GOVERNO JÂNIO QUADROS - 1960/1961
Janio Quadros, em 1958, se candidatou e se elegeu deputado federal pelo
estado do Paraná, com
o maior números de votos, mas não assumiu o mandato. Seu sonho era ser
presidente, logo não assumiu o mandato de deputado e passou a se
preparar para candidatar-se à presidência pelo
Partido Democrata Cristão, com apoio da UDN. Utilizou como tema de sua
campanha o "varre,
varre vassourinha, varre a corrupção", cujo jingle tinha como versos
iniciais:
varre, varre, varre, varre vassourinha / varre, varre a bandalheira /
que o povo já tá cansado /
de sofrer dessa maneira / Jânio Quadros é a esperança desse povo
abandonado!....... também pregava ser o "homem do tostão contra o
milhão".
Chegando ao fim o governo JK e como a constituição não permitia
reeleição, Jânio se candidata.
disputava com o Marechal Teixeira Lott pelo PTB e Ademar de Barros,
político forte em São Paulo.
Com 5,6 milhões de votos - a maior votação até então obtida no Brasil -
foi eleito para um mandato de 1961 a 1966, porém
não conseguiu eleger o candidato a vice-presidente de sua chapa, Milton
Campos. Naquela época votava-se separadamente para presidente e vice.
Quem se elegeu
para vice-presidente foi João Goulart, do PTB. Dois políticos que
representavam partidos
e idéias diferentes.
Qual a razão do sucesso de Jânio Quadros? Por que, em menos de quinze
anos, construiu uma carreira política inteira - de vereador a Presidente
da República - sem paralelo na história do Brasil? Jânio não alcançou o
poder na crista de uma revolução armada, como Getúlio Vargas. Não era
rico, não fazia parte de alguma família política tradicional, não tinha
padrinhos, não era dono de jornal,
não tinha dinheiro, não era ligado a grupos econômicos, não servia aos
Estados Unidos nem à
Rússia, não era bonito, nem simpático. O que era, então, Jânio Quadros?
Janio era uma figura diferenciada. empolgava a população, prometendo
acabar com a corrupção, equilibrar as finanças públicas e diminuir a
inflação. Para ganhar ainda mais simpatia dos
eleitores, o candidato costumava andar com roupas amassadas e carregar
sanduíche de
mortadela nos bolsos.
....ele era um fenômeno: bastava aparecer um engraxate, um pipoqueiro,
enfim, alguém do povo,
e ele pulava para o palco, se transformava.
Passava a ser outro homem. Era inteligente, se
tornava simpático,
brilhante. Tinha uma incrível capacidade de mudar. Tudo o que ele
parecia
ser, não era. Era um personagem, e se administrava como
personagem. (Sebastião Nery)
Seu governo foi curto e contraditório. Governou por exatos 206 dias e
renunciou.
Dizia a favor do povo e contra as elites tradicionais, mas era apoiado
justamente pela a classe
social
que sempre foi alvo de suas críticas: as elites.
Politicamente, dizia anticomunista, mas chegou a condecorar um
dos
líderes da Revolução
Socialista
Cubana, Ernesto “Che” Guevara, com a Medalha Cruzeiro do Sul, em agosto
de 1961.
Na área econômica, Jânio foi conservador, adotando à risca as
medidas do
FMI (Fundo
Monetário
Internacional). Congelou salários, restringiu créditos e desvalorizou a
moeda nacional,
o Cruzeiro, em
100%. Porém, nenhuma destas medidas foi suficiente para acabar com
a
inflação alta.
Mas, naquele momento, 7 meses depois, lhe faltou base parlamentar, tinha
mais oposição que situação,
impedindo-o de governar.
Jânio Quadros tinha uma aversão profunda pela classe política e, embora
em desvantagem no Congresso,
sobretudo na Câmara Federal, nada fez para melhorar sua base de apoio.
Criticava violentamente a oposição e, pior ainda, entrou em atrito com
políticos que o apoiava, criando
novos inimigos e mantendo os antigos, inclusive de seu maior
representante, o
jornalista Carlos
Lacerda.
Outro fator foi o descontentamento da população, iludida com as
promessas do candidato e,
posteriormente, decepcionada com o Presidente, que chegou a proibir o
uso de biquínis nas praias.
Em atos seguintes, mandou recolher revistas para adultos, proibiu
corridas de cavalos em dias
úteis, o
funcionamento de rinhas para "brigas de galos", o uso de maiôs cavados
em concursos,
os espetáculos de
hipnotismo, o uso de lança-perfumes no Carnaval, a propaganda em salas
de cinema, regulamentou a
participação de menores em programas de rádio e televisão, regulamentou
o horário do funcionalismo, que
passou a ser integral de oito horas; etc.
extinguiu os subsídios e com isso, dobrou o preço do pão, subiu a tarifa
dos transportes
coletivos e,
num efeito dominó, o custo de vida em geral foi aumentado, sem a devida
contra-partida nos salários.
O
papel de jornal também tinha sua importação subsidiada e seu preço
dobrou, aumentando a
fúria dos donos
de jornais, formadores da opinião pública.
Essa perfumaria toda gerou desgastes ao governo.
Jânio esteve no poder por exatos 206 dias. Nunca se conseguiu precisar
as causas de sua renúncia.
É um
quebra-cabeças no qual sempre ficam faltando peças. Qualquer explicação
que se dê é insatisfatória.
Em agosto de 1961, Carlos Lacerda foi à televisão denunciar um possível
golpe que estaria sendo
articulado pelo Presidente Jânio Quadros. No outro dia, o Brasil se
surpreendeu com o pedido de
renúncia de Jânio. Ele afirmava em carta ao Congresso que “forças
terríveis” o haviam levado a tomar
aquele gesto.
Porém, acredita-se que Jânio que a população reagiria a seu favor,
exigindo seu retorno e permanência e
ele voltaria ao poder muito mais fortalecido. Mas isto não aconteceu.
O
Congresso de pronto aceitou sua
saída do cargo. O vice-presidente da República se achava em viagem
oficial à China. Assumiu
interinamente a direção do país o Presidente da Câmara,
Ranieri Mazilli,
até a volta do vice João
Goulart.
O GOVERNO JOÃO GOULART - 1961/1964
A posse de João Goulart estava ameaçada. Os ministros militares Odílio
Denys, da Guerra,
Gabriel Grün Moss, da Aeronáutica, e Sílvio Heck, da Marinha, tentaram
impedir a posse de
Jango decretando a sua prisão assim que ele chegasse da China. Alegavam
que o vice era
comunista e seria uma temeridade permitir que o governo fosse
dirigido
por um simpatizante
da esquerda.
Diante dessa ameaça teve inicio manifestações populares contra o golpe
em todo o país.
No Rio Grande do Sul, o governador Leonel Brizola com a adesão do III
Exército, comandado
pelo general Machado Lopes exigem a posse de Jango. A solução para o
impasse foi a aprovação pelo Congresso, de uma emenda constitucional que
instaurou o parlamentarismo como
regime de governo.
Goulart assumiria num regime parlamentarista onde o presidente tem uma
função limitada.
Quem governa realmente é o Primeiro ministro
João Goulart aceitou e assumiu a presidência em setembro de 1961.
Durante o período parlamentarista que durou aproximadamente 2 anos, o
Brasil terá três gabinetes ou
Primeiros Ministros:
Tancredo Neves, de 7 de setembro de 1961 a 12 de julho de 1962
Francisco de Paula Brochado da Rocha, de 12 de julho a 18 de setembro de
1962
Hermes Lima, de 18 de setembro de 1962 a 24 de janeiro de 1963.
Em janeiro de 1963, foi convocado um plebiscito que decidiu pela volta
ao presidencialismo:
2 milhões de votos para o Parlamentarismo. Com 10
milhões vence o Presidencialismo. João
Goulart retoma o poder e governa
até 64.
Goulart tinha um plano de Governo: o Plano Trienal, elaborado pelo
economista Celso Furtado,
para combater a inflação e desenvolver o país e anunciou também a
realização das
denominadas reformas de base:
AGRÁRIA: terras com mais de 600 hectares
teriam que ser distribuídas para a Reforma
Agrária;
TRIBUTÁRIA: os impostos seriam proporcionais
ao lucro pessoal
URBANA: as pessoas com mais de uma casa,
teriam que dar as casas excedentes ao
Governo, ou seja, vender as casas a preço baixos;
EDUCACIONAL: proibiu escolas particulares e
15% do PIB seriam destinados à educação;
ELEITORAL analfabetos passariam a votar;
ADMINISTRATIVA E BANCÁRIA
O Plano Trienal falhou.
Posteriormente, Jango aprovou leis que garantiam benefícios aos
trabalhadores urbanos e rurais.
Procurou diminuir a participação de empresas estrangeiras em alguns
setores
estratégicos da economia.
Anunciou reformas, como a nacionalização de refinarias de petróleo
Manteve uma política
externa independente: reatou relações diplomáticas com a União Soviética
e se recusou a apoiar
uma invasão a Cuba, proposta pelo presidente estadunidense John Kennedy.
Estas reformas, percebe-se, beneficia mais as classes desfavorecidas que
apóiam o Governo, revoltando as demais classes, inclusive a Classe Média
que se opõe as Reformas de Base de
Jango, pois vê seus interesses ameaçados;
O desemprego, a inflação e a carestia aumentavam as tensões sociais no
país.
Enfraquecido pela crise econômica e pelas pressões internas e externas,
Jango voltou-se para os grupos mais a esquerda, aliando-se a Leonel
Brizola e Miguel Arraes e buscando apoio nos sindicatos e organizações
estudantis.
Foi mais um motivo para que a oposição o acusasse de comunista. A partir
daí houve uma mobilização política e social anti Jango.
Em 19 de março, em São Paulo, foi organizada a Marcha da Família com
Deus pela Liberdade,

cujo objetivo era mobilizar a opinião pública contra o governo de Jango
e sua política que, segundo eles, culminaria com a implantação do
comunismo no Brasil.
Agora, com a participação de setores sociais insatisfeitos uma
conspiração golpista se organiza, tendo como articuladores o Marechal
Castelo Branco, o General Mourão Filho e o
General Kruel, além dos
governadores de Minas Gerais, Magalhães Pinto e do Rio de Janeiro,
Carlos Lacerda.
Também os governadores de São Paulo e Rio Grande do Sul
apoiaram o golpe.
O general Olímpio Mourão Filho iniciou a movimentação de
tropas de Juiz
de Fora em direção
ao Rio de Janeiro,
provocando o início da Revolução ou golpe de 1964 que
derrubou o governo
de João Goulart. O presidente Jango refugiou-se no Rio Grande do Sul.
No dia 2 de abril, o Congresso Nacional declarou a vacância de João
Goulart no cargo de
presidente, entregando o cargo de chefe da nação novamente ao presidente
da Câmara dos Deputados Ranieri Mazzilli.
No dia 10 de abril, João Goulart teve seus direitos políticos cassados
por 10 anos, após a
publicação do Ato Institucional, exilando-se
em suas fazendas no Uruguai.
Os militares assumem o poder e tem início o período revolucionário que
se estende de 1964 á 1985
IV. REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
História do Brasil - Luiz Koshiba - Editora Atual
História do Brasil - Bóris Fausto - EDUSP
FAUSTO, Boris (Org.). História geral da civilização brasileira. Vol. 8 a
11. São Paulo:DIFEL, 1986.
CHAUI, Marilena; FRANCO, Maria S. C. Ideologia e mobilização popular.
RJ: Paz eTerra, 1978.
GORENDER, Jacob. Combate nas trevas. SP: Ática, 1990.
FAUSTO, Boris (Org.). História geral da civilização brasileira: O Brasil
Republicano
(sociedade e política). V. 10. SP: Difel, 1986.
IANNI, Octávio. O colapso do populismo no Brasil. RJ: Civilização
Brasileira, 1988.
MOTA, Carlos Guilherme (Org.). Brasil em perspectiva. RJ: Bertrand
Brasil, 1990.
PRADO JÚNIOR, Caio. Formação do Brasil contemporâneo. SP: Brasiliense,
1995.
SKIDMORE, Thomas. Brasil: de Getúlio a Castelo Branco: 1930-1964. SP:
Paz e Terra, 1979.
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